O tema da segurança pública dominou os discursos dos candidatos à Presidência da República nos eventos de lançamento de campanha, mas o que chamou atenção foi justamente o que cada um optou por não mencionar.
Durante o Live CNN desta segunda-feira (17), a analista de Política Larissa Rodrigues analisou os principais pontos dos discursos e destacou os temas deliberadamente evitados por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
No longo discurso de Flávio Bolsonaro (PL) em Copacabana, a analista observou que o candidato passou superficialmente pela questão do tarifaço.
“Ele não citou a palavra ‘tarifaço’. Quando se referiu a qualquer coisa dos Estados Unidos, ele não falou a palavra ‘Estados Unidos’ e não falou a palavra ‘Trump'”, destacou Larissa.
Segundo ela, Flávio fez menção ao presidente Lula, dizendo que ele fica “caçando confusão com o país que está a 10 mil quilômetros daqui, mas não encara o assunto da segurança pública”. Larissa observou que o candidato do PL fez alusão aos países da América do Sul com governantes de direita.
Já Lula, segundo a analista, tentou abordar segurança pública: “É um assunto espinhoso para o PT, mas que vai ser um dos assuntos que vai dominar a campanha porque a população está sentindo o aumento da criminalidade em praticamente todos os estados.”
No entanto, de acordo com Larissa, o candidato evitou mencionar a palavra “corrupção” e não fez qualquer referência ao INSS, ao seu filho ou ao ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro.
Lula também concentrou parte do discurso no público feminino, segmento no qual Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para ampliar suas intenções de voto.
Estratégia comum
De acordo com Larissa, a estratégia foi semelhante entre os candidatos: aproveitar os pontos fracos dos adversários enquanto mantinham seus próprios pontos vulneráveis fora do debate.
As promessas ao eleitorado, como segurança pública e igualdade salarial entre homens e mulheres, foram os principais destaques.
“O INSS não apareceu para Lula, como também tarifaço não apareceu para Flávio Bolsonaro”, concluiu a analista,

