Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu adotar o slogan “a mudança continua” na reta final do segundo turno, retomando um mote utilizado pela campanha de Dilma Rousseff em 2014.
A estratégia busca responder à narrativa de mudança amplamente explorada pela campanha adversária, segundo apuração do analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao CNN 360°.
De acordo com Pedro Venceslau, após o primeiro turno, integrantes do PT fizeram uma autocrítica reservada sobre os resultados obtidos. A avaliação interna foi de que a campanha de Lula olhou demasiadamente para o passado, enfatizando o legado em vez de projetar propostas para o futuro.
Além disso, a campanha do adversário Flávio Bolsonaro (PL) foi construída inteiramente em torno da palavra “mudança”, o que ressoou com o eleitorado. Segundo o Datafolha, 41% dos eleitores de Flávio Bolsonaro votam nele por defenderem a alternância de poder.
O resgate do mote de 2014
Em 2014, quando Dilma Rousseff disputou a reeleição, o marqueteiro João Santana identificou um sentimento de desgaste em relação ao governo e estruturou a campanha em torno do slogan “continuar mudando”.
Agora, na reta final do segundo turno, a campanha de Lula resgatou essa ideia com o jingle “a mudança continua”, divulgado em materiais de comunicação e nas redes sociais do petista.
Lula também apareceu em um vídeo gravado por Janja, em formato de selfie, com aparência informal, vestindo bermuda e carregando um aparelho de som no ombro enquanto cantava o jingle.
Pedro Venceslau avaliou que a adoção do novo slogan pode ter chegado tarde, uma vez que a estratégia da campanha de Lula nunca havia sido calcada na ideia de que ele representa a continuação da mudança.
No segundo turno, a campanha passou a adotar uma estrutura narrativa mais propositiva e voltada para o futuro, mas metade do tempo de televisão ainda é utilizado para desgastar Flávio Bolsonaro.

