O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, sinalizou nesta quarta-feira (19) mais um desacordo em relação à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1: “Caráter simplesmente populista e eleitoreiro”.
Segundo o ex-governador de Goiás, a proposta que segue em análise no Senado Federal é “mais uma surpresinha” vinda do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que transferiria a responsabilidade das pautas de caráter popular para os integrantes do Congresso Nacional.
“Cada hora é uma surpresinha. Eu não voto nessa matéria, não posso influenciar. Vários parlamentares vão analisar a condição disso, sendo que o Lula simplesmente disse ‘toma que o filho é teu’. Ele lançará outras dessas”, disse Caiado em entrevista para jornalistas em Brasília.
Não é a primeira vez que Caiado evitou falar da proposta, no entanto, já afirmou que o projeto tramitou com rapidez demais no Congresso com as eleições sob o horizonte. Disse que não interessava aos parlamentares e ao Executivo que o setor produtivo “quebrasse”, em detrimento do ganho eleitoral.
Em outras oportunidades, o pré-candidato declarou que o modelo mais moderno seria permitir que cada trabalhador e empregador negociem a quantidade de horas trabalhadas de acordo com a produtividade e a eficiência.
Caiado também voltou a criticar Lula, parte de seu discurso de enfrentamento na campanha presidencial. Afirma ser “o único” dentre os demais presidenciáveis capaz de derrotar o petista em um eventual segundo turno em outubro: “Se o Lula não fez em 20 anos, vai fazer em mais quatro?”
A PEC que altera a jornada de trabalho foi destravada recentemente pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que mantinha a proposta sem despacho há meses.
Com o estreitar das relações com o presidente Lula, a PEC 6×1 — bem como outras matérias de interesse do governo — deve seguir o rito de tramitação tradicional do Legislativo.

