O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), senador Rogério Marinho (PL-RN), disse nesta segunda-feira (5), que o candidato do PL deve participar de debates antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
“Queremos fazer um debate de propostas, e que o governo no exercício do mandato consiga prestar contas sem buscar como muleta outro poder. […] Estamos avaliando os pedidos de debates, ele quer debater com Lula. Deve apenas estabelecer quais os embates a serem feitos, são três semanas apenas. Espero que haja um compromisso da campanha adversária para que isso aconteça. É extremamente importante para que a população faça seu juízo de valor”, disse Marinho em entrevista coletiva.
Segundo o senador, há pelo menos quatro convites para debates entre os candidatos que chegaram ao segundo turno. Ao longo da campanha, no entanto, Lula e Flávio não compareceram a nenhum dos eventos organizados, bem como a grande maioria das sabatinas em que demais candidatos participaram.
Como mostrou a CNN, a equipe de Flávio permanece dividida sobre a presença do presidenciável em eventos televisionados desse tipo.
Um grupo considera que, com a dianteira obtida no primeiro turno, o primogênito de Jair Bolsonaro (PL) deve se blindar da troca de ataques com o adversário.
A avaliação é de que o objetivo do candidato de direita deve ser, neste momento, de evitar um aumento de sua própria rejeição, sobretudo para ser o principal herdeiro dos votos de Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Por isso, o ideal para a campanha é que Flávio mantenha uma campanha eleitoral focada nos problemas reais do país e evite um debate pautado por troca de acusações sobre escândalos de corrupção e irregularidades administrativas.
Na avaliação de outro grupo, porém, justamente por ter uma vantagem de dois pontos percentuais, Flávio estaria em um momento confortável para comparecer a um embate televisivo.
Debates no primeiro turno
Desde o dia 16 de agosto, início oficial da campanha eleitoral, Lula e Flávio Bolsonaro se ausentaram da grande maioria das dinâmicas frente a jornalistas em eventos televisionados. O único espaço em que houve disputa dos principais personagens do primeiro turno foi a sabatina promovida pelo Jornal Nacional, da rede Globo.
O argumento de Lula para faltar aos debates foi de que estaria “isolado” por ser o único representante do campo da esquerda e centro-esquerda, enquanto os demais candidatos o atacariam de forma coordenada. Além disso, falou publicamente que sentia saudades dos debates em que foi nas primeiras eleições que participou pois o cenário atual era de adversários “desqualificados”.
Já para Flávio, a linha de pensamento era concentrar suas forças eleitorais em Lula, já pensando no segundo turno que chegaria em breve. Preservou a possibilidade de ataques diretos – principalmente em referência aos desdobramentos do caso Master e Dark Horse – e só cogitou participar do último debate, promovido pela Globo.
Poucos minutos antes do evento, cancelou sua participação alegando que haveria “interferência” do Poder Judiciário após decisões dos ministros Estela Aranha (TSE) e Gilmar Mendes (STF), que proibiu a exibição do púlpito vazio de Lula durante o debate e que obrigou a participação de Renan Santos no evento, respectivamente.

