O advogado Vitor Marques e o comentarista da CNN Vinicius Poit debateram, na segunda-feira (7), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se os
“atos de 7 de Setembro contra Moraes mudam votos para Flávio e Lula?”

Os atos realizados no 7 de Setembro, que tiveram o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) como principal alvo, reacendem o debate sobre os impactos políticos das manifestações na corrida eleitoral.

A questão central é se as mobilizações têm potencial de alterar a intenção de voto dos brasileiros em relação a Flávio Bolsonaro (PL) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Diferença de estratégias entre candidatos

Para Vinicius Poit, os atos não são decisivos, mas exercem influência política no rumo das eleições. “Eu não acredito que são atos decisivos, mas que influenciam politicamente no rumo das eleições”, afirmou.

Ele destacou que, enquanto Flávio Bolsonaro foi às ruas e discursou na Avenida Paulista com declarações diretas como “Fora Moraes, fora Lula”, Lula optou por participar do desfile oficial e se limitou a comentários que Poit classificou como genéricos e superficiais. Na avaliação dele, essa postura prejudica Lula e mantém a munição política nas mãos do adversário.

Poit citou ainda uma pesquisa da Quest que coloca Lula e Flávio Bolsonaro empatados no segundo turno. “Não é empate na margem de erro, é empate”, ressaltou, apontando que Flávio cresce enquanto Lula enfrenta indicadores econômicos negativos e não se posiciona com firmeza sobre os escândalos envolvendo Moraes.

Segundo ele, a associação entre Lula e Moraes prejudica o atual ocupante do Palácio do Planalto, a menos que ele mude sua postura publicamente.

Presunção de inocência e indignação seletiva

Já Vitor Marques adotou uma perspectiva diferente. Para ele, as manifestações não devem mudar votos nem influenciar decisões judiciais. “Ministro do Supremo Tribunal Federal não é cabo eleitoral de presidente da República”, declarou.

Marques também ponderou que as manifestações do dia foram relativamente pequenas e não geraram grandes mobilizações em todo o país. Ele defendeu que Alexandre de Moraes precisa esclarecer os fatos, mas que isso deve ocorrer dentro dos ritos e procedimentos legais, com a presunção de inocência garantida.

Marques fez ainda um alerta sobre o que chamou de indignação seletiva. Segundo ele, Daniel Vorcaro — citado como figura central nas investigações sobre supostas mensagens trocadas com Moraes — é o mesmo que teria doado 70 milhões de reais à campanha de Flávio Bolsonaro, pago viagens do deputado Nicolas Ferreira e, segundo investigações, pagado mesada para um ex-integrante do governo Bolsonaro.

“Não dá para as pessoas irem para as ruas e pedir fora Moraes e aplaudir quem pediu o dinheiro do mesmo Daniel Vorcaro”, afirmou.

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