O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e o empresário Leonardo Bortoletto debateram, na quinta-feira (31), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se “Lulinha investigado pela PF dificulta campanha de Lula?”
A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, por tráfico de influência. A corporação quer apurar se o filho de Lula cometeu irregularidades perante o Ministério da Saúde no processo de autorização para a comercialização de cannabis medicinal. O pedido foi distribuído ao ministro do STF André Mendonça, que autorizou a investigação.
O caso não é o primeiro a envolver o nome de Lulinha no noticiário. Ele também foi citado em um inquérito sobre desvios do INSS — também sob relatoria de André Mendonça —, em razão de sua relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ao comentar a situação, Lula afirmou que não haverá nenhum privilégio e que, se Lulinha for julgado, ele não se esconderá e virá ao Brasil.
Impacto eleitoral da investigação
Leonardo Bortoletto avaliou que a investigação representa um elemento negativo para a campanha de Lula. “É óbvio que vai dificultar a campanha”, afirmou. Para ele, o agravante é o fato de se tratar do filho do candidato e de não ser a primeira vez que o nome de Lulinha aparece associado a notícias negativas. ”
Todas as vezes que aparece no noticiário não é para enobrecer a família”, destacou. Bortoletto também ressaltou que investigações abertas tendem a permanecer sem conclusão durante o período eleitoral, gerando um fluxo contínuo de informações que pode influenciar o eleitor.
Bortoletto ponderou ainda que o tema da corrupção é particularmente sensível ao eleitorado brasileiro. Segundo ele, a dificuldade da campanha estará em desvincular a imagem do candidato das investigações que envolvem pessoas ao seu redor.
José Eduardo Cardoso apresentou uma perspectiva diferente, argumentando que a resposta de Lula ao caso demonstra uma postura republicana. Segundo ele, Lula afirmou textualmente: “Se meu filho fez besteira, ele terá que ser investigado, apurado e punido.”
O comentarista contrastou essa postura com a de Jair Bolsonaro, que, segundo ele, teria tentado intervir na Polícia Federal para barrar investigações sobre seus filhos — fato que, conforme Cardoso, foi relatado pelo próprio Sérgio Moro ao deixar o ministério.
Para Cardoso, a diferença central está na postura de quem ocupa o cargo: “Filho meu responde como qualquer cidadão. Essa é a diferença que deve ser marcada.” Cardoso reforçou que Lulinha não deve ser pré-julgado e que os fatos narrados “parecem muito mais tênues que outras investigações que foram feitas”.

