O cientista político Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, avaliou, ao WW Especial, que o PL irá buscar a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal após as eleições. Ele afirmou que o desempenho eleitoral do partido justifica essa ambição, mas alertou que a conquista das cadeiras de comando das duas casas legislativas não será simples.
Segundo Aragão, o PL tende a se articular com partidos do centro para viabilizar sua candidatura à presidência das duas casas. “Obviamente, o PL, pelo desempenho, vai querer ter a presidência”, afirmou.
“Isso é uma tendência de que ele tente se organizar com os demais partidos do centro para ocupar a presidência da Câmara — e no Senado, a mesma coisa.”
Três temas decisivos para as articulações
O analista destacou que o cenário político será fortemente influenciado por três questões em discussão no Judiciário: o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a anistia aos envolvidos nos atos do 8 de janeiro e as investigações sobre emendas parlamentares ao orçamento da União.
Para Aragão, as lideranças que emergirem do novo Congresso precisarão considerar suas posições em relação a esses três temas antes de pleitear o comando das casas legislativas.
Aragão chamou atenção ainda para o impacto das investigações conduzidas pelo ministro Flávio Dino sobre as emendas parlamentares.
Segundo ele, quase 70 parlamentares estão envolvidos nessas apurações, entre reeleitos e não reeleitos, o que representa uma fonte adicional de tensão entre o Congresso e o STF.
“Isso também gera uma ponta de atrito entre Congresso e Supremo que não vai estar resolvida e que somente agregará mais tensão a este relacionamento”, disse.
Decisão não será apenas eleitoral
Para o analista, um bom desempenho nas urnas não será suficiente para garantir o comando das casas legislativas.
“Não é uma decisão simples e que apenas, naturalmente, as lideranças que foram bem votadas e que tenham tido um desempenho eleitoral positivo seja suficiente para levá-las ao comando das casas”, afirmou Aragão.
Ele concluiu que “vão ter que existir articulações muito importantes considerando os três temas”: o relacionamento com o STF, o impeachment de ministros, a questão da anistia e as investigações sobre as emendas ao orçamento da União.

