O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — além de calibrar seu discurso em meio à pressão da crise do STF (Supremo Tribunal Federal) — dará uma guinada nos formatos digitais utilizados em sua campanha.
Apesar dos pedidos de aliados, Lula relutava em aderir às ferramentas, como mostrou a CNN Brasil. No último domingo (13), finamente, o petista transmitiu sua primeira live de campanha. E, segundo fontes próximas ao petista, está “convencido” a utilizar novos formatos e gravar em “selfie” para as redes, por exemplo.
O obstáculo agora, segundo aliados, é encontrar espaço na agenda presidencial e de campanha de Lula para produzir e gravar os conteúdos “tailor-made” para redes sociais.
A ideia é o mandatário aparecer em vídeos gravados na vertical e falando diretamente com o público, num formato característico do Instagram e do TikTok. A avaliação, a partir também de métricas, é de que este tipo de publicação tem maior poder de reter público e compartilhar mensagens.
A crise no STF e a aproximação entre as intenções de voto entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levou a um “mea culpa” e à busca por uma correção de rota no entorno do presidente. O coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, disse a jornalistas na última quinta-feira (10) que a nova conjuntura demanda ajustes na estratégia petista.
O PT (Partido dos Trabalhadores) admitiu também demora para distribuir material gráfico aos filiados ao redor do país, por exemplo. Segundo relatos, a questão foi endereçada nos últimos dias.
Nos seus discursos em pronunciamentos, comícios e nas redes sociais, Lula passou a reforçar o pedido pela quebra “completa” do sigilo dos casos do Banco Master e do INSS e defender investigações “doa a quem doer” — em uma tentativa de se descolar da crise.
Resistência de Lula
O dilema era que o formato deixa Lula pouco à vontade e poderia passar uma imagem mais artificial do petista e com pouco convencimento junto ao eleitorado. A avaliação interna é de que quanto mais genuíno e natural o petista for, maior o convencimento de que ele é uma “pessoa de verdade”.
Internamente, Lula chegou a fazer críticas sobre a condução de suas redes sociais ao longo de seu mandato. Após a troca da equipe do ex-ministro Paulo Pimenta pela do marqueteiro Sidônio Palmeira na Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República), os perfis do presidente começaram a mudar a linguagem e até a usar memes com animais, por exemplo.
Isso incomodou Lula, que, segundo relatos, achou que as postagens não pareciam “coisa séria”. O mandatário orientou, então, que a equipe passasse a adotar um tom menos jocoso para suas contas em redes sociais.
Eleitor jovem
Aliados de Lula calculam o quanto a não utilização de novas ferramentas digitais pode ter impacto especialmente na batalha pelo eleitor jovem e tentam criar formas de driblar isso. A campanha petista, nos bastidores, vem demonstrando preocupação com o segmento.
Uma das estratégias para recuperar este público — que vem sendo seguida à risca por Lula — é a participação frequente em podcasts. A ideia do entorno do presidente é, nestes canais, destacar especialmente a trajetória do petista antes de chegar ao Palácio do Planalto.
A campanha parte da convicção de que a parcela mais jovem da população já conheceu Lula como presidente da República e não se conecta com a história de vida do petista até chegar ao posto máximo do país.
O próprio ato de lançamento oficial da campanha de Lula, realizado no dia 16 de agosto, foi pensado para resgatar o passado do petista, conectá-lo com a origem sindical e vendê-lo como um presidente “improvável”, segundo apurou a CNN Brasil.

