O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou à TV Globo que não participará do último debate presidencial antes do primeiro turno. A ausência do petista reconfigurou os planos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que passou a trabalhar com estratégias específicas para o confronto sem a presença do adversário.
Segundo apuração da âncora da CNN Débora Bergamasco ao CNN 360°, Flávio já vinha realizando media training para dois cenários distintos: um com Lula presente e outro sem ele. Com a desistência confirmada, a equipe de campanha definiu que a estratégia permanece centrada no mesmo alvo.
Artilharia concentrada em Lula
Mesmo sem a presença física do adversário, Flávio deve direcionar suas críticas diretamente a Lula ao longo do debate. A estratégia inclui menções a escândalos, referências ao caso do INSS e outros temas que integram a disputa eleitoral.
Além disso, a campanha pretende explorar politicamente a própria ausência de Lula, associando-a a uma recusa em debater — com críticas do tipo “fujão” e questionamentos sobre sua disposição de enfrentar os adversários de frente.
A situação cria um cenário particular: Lula poderá receber ataques de todos os candidatos presentes no debate sem ter a oportunidade de se defender no mesmo espaço.
Embora ele vá conceder uma entrevista no mesmo horário, em outro local, a campanha rival avalia que isso não equivale a um confronto direto diante do público que acompanha o debate.
Cautela com adversários de direita
Apesar de estar preparado para ser alvo de críticas de outros candidatos — como Ronaldo Caiado —, Flávio deve evitar elevar o tom contra esses concorrentes.
A avaliação da campanha é estratégica: como todos estão posicionados no campo de centro-direita ou direita, o apoio deles pode ser fundamental em um eventual segundo turno contra Lula.
A preferência é que, ao menos, esses candidatos permaneçam neutros.
Outro ponto destacado é a ausência de candidatos de esquerda no debate, o que significa que nenhum dos participantes deverá defender Lula durante o confronto.
Isso reforça a percepção de que o petista será o grande protagonista das críticas, mesmo sem estar presente no estúdio.

