O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, criticou nesta quinta-feira (24) o impacto da crise climática sobre seu país, semanas após inundações catastróficas deixarem pelo menos 1.400 mortos no Nepal e dezenas de vítimas na região do Tibete, na China. Milhares de pessoas continuam desaparecidas.

“A mudança climática não reconhece fronteiras”, afirmou Shah durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas. “Geleiras e enchentes não viajam com carimbos e passaportes.”

No fim de agosto, uma massa de rochas e gelo de cerca de 600 metros de largura se desprendeu do Langtang Lirung, no Nepal, e despencou por mais de 2 quilômetros até o rio abaixo. O impacto liberou uma quantidade de energia equivalente à de um terremoto de magnitude 5,2 e derreteu instantaneamente parte do gelo, provocando uma onda de inundação que percorreu mais de 30 quilômetros rio abaixo em alta velocidade.

Mais de 5.500 pessoas continuam desaparecidas no Nepal e pelo menos outras 500 no lado chinês, segundo dados oficiais.

Shah ressaltou que o Nepal é responsável por menos de 0,1% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas paga um “preço colossal” pela gravidade da crise.

“Nossas geleiras estão recuando, as encostas das montanhas estão ficando instáveis, nossos rios estão menos previsíveis e cada grande desastre ameaça apagar anos de desenvolvimento”, afirmou. “Para o Nepal, a catástrofe climática não é apenas uma questão humanitária, mas uma emergência de desenvolvimento.”

O primeiro-ministro acrescentou que as mudanças climáticas destroem estradas, pontes, escolas, casas, plantações e meios de subsistência. Segundo ele, também danificam a infraestrutura de energia limpa necessária para o desenvolvimento do país e obrigam uma nação pobre a contrair dívidas para reparar danos que não causou.

A declaração faz referência às várias usinas hidrelétricas danificadas pelas inundações.

Enquanto o país começa a lidar com a enorme tarefa de reconstrução, Shah pediu ajuda de outras nações.

Ele propôs a criação de um “Mecanismo de Resiliência Climática do Himalaia“, liderado por Nepal, Índia e China, para compartilhar dados de satélite e conhecimento técnico, monitorar lagos glaciais perigosos e fortalecer sistemas de alerta antecipado.

“Quando um desastre acontecer, vamos coordenar a assistência entre as fronteiras”, afirmou Shah.

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