O partido União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler alemão Friedrich Merz, enfrenta um resultado ruim nas eleições estaduais deste domingo (20), segundo as pesquisas de boca de urna. A legenda é pressionada tanto pelo avanço da extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) quanto por partidos de esquerda.

No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, o AfD aparece em primeiro lugar, com 38% dos votos, segundo a pesquisa de boca de urna da emissora pública alemã. O resultado ocorre apenas duas semanas depois de a legenda alcançar seu melhor desempenho até então em uma eleição estadual, na Saxônia-Anhalt.

A CDU de Merz aparece com 5%, pouco acima da cláusula de barreira para garantir representação no Parlamento estadual, aumentando a pressão sobre o chanceler.

Na outra eleição realizada neste domingo, em Berlim, o partido de esquerda Die Linke lidera com 26%, seguido pela CDU e pelos Verdes, segundo as pesquisas de boca de urna.

Houve vaias e manifestações de descontentamento dentro do evento da CDU em Berlim quando os resultados das duas regiões foram anunciados.

Merz classificou o resultado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como um “desastre” em discurso após a divulgação das pesquisas. Ainda assim, o chanceler manteve o tom de enfrentamento e defendeu a necessidade de reformas para lidar com os problemas econômicos e as divisões cada vez maiores na Alemanha.

“A resposta não pode ser voltar aos bons e velhos tempos”, afirmou.

Antes das projeções deste domingo, o pior resultado da CDU em uma eleição estadual havia ocorrido 75 anos atrás. Em 1951, o partido obteve 9% dos votos em Bremen — a única vez em que ficou abaixo de 10% em uma eleição estadual.

A copresidente do AfD, Alice Weidel, comemorou os resultados e disse à CNN que seu partido é “claramente o novo partido do povo na Alemanha”.

“Nós ultrapassamos a CDU, e as pessoas querem uma mudança de política”, afirmou Weidel. Ela disse que Merz está “fortemente enfraquecido” e acrescentou acreditar que a CDU não poderá continuar com ele como líder, diante de um “chanceler fraco”.

Em Berlim, o AfD aparece em quarto lugar, com 13,5%. Embora o resultado seja inferior ao avanço da legenda em outras regiões, ele indica que a extrema-direita também ampliou seu apoio na capital cosmopolita. Na última eleição para o Parlamento estadual de Berlim, em 2023, o AfD obteve 9,1% dos votos.

As eleições deste domingo ocorrem em um momento crítico para Merz, apenas duas semanas depois de o AfD impor uma derrota histórica à CDU na Saxônia-Anhalt, onde conquistou 44% dos votos.

O resultado provocou forte reação no establishment político alemão e intensificou as especulações sobre o futuro de Merz como chanceler.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, assim como na Saxônia-Anhalt, um antigo estado da Alemanha Oriental, o AfD tentou capitalizar a insatisfação com as desigualdades econômicas e com o governo de Merz. A legenda também fez campanha pela deportação em massa de migrantes sem documentação, pelo fim da ajuda militar à Ucrânia e por relações mais próximas com a Rússia.

O candidato do AfD ao cargo de governador estadual havia dito anteriormente à CNN que a abordagem do partido era comparável à agenda “America First” do governo de Donald Trump.

A eleição também foi um teste de popularidade para o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, e sua candidata Manuela Schwesig, que governa o estado desde 2017. Primeira mulher a ocupar o cargo de governadora de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Schwesig fez campanha para impedir um novo avanço do AfD.

Em seu último comício, ela alertou para a chegada de “nuvens escuras”, em referência à extrema-direita. Sua campanha se concentrou em empregos, educação e coesão social.

As pesquisas de boca de urna colocaram o SPD logo atrás do AfD, com 36,5% dos votos.

O estado enfrenta uma grave escassez de trabalhadores qualificados, devido ao envelhecimento da população e às baixas taxas de natalidade. Cerca de 50 mil pessoas de origem imigrante trabalham em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, segundo a Reuters, desempenhando papel importante na economia local enquanto enfrentam o sentimento anti-imigração da extrema-direita.

O cenário político em Berlim era bastante diferente. A eleição para o Parlamento estadual da capital era apontada como uma disputa acirrada entre Die Linke e CDU.

A dificuldade de acesso à moradia foi um dos principais temas da campanha, após uma década de aumento dos aluguéis na cidade e diante da previsão de uma grande escassez de imóveis nos próximos anos.

O chanceler alemão Friedrich Merz na Câmara dos Deputados do Parlamento alemão, o Bundestag, em Berlim, Alemanha 8 de setembro de 2026 REUTERS/Liesa Johannssen • REUTERS