Uma pesquisa da Reuters/Ipsos revelou que os eleitores que apoiaram a ex-vice-presidente democrata Kamala Harris em 2024 estão muito mais entusiasmados para votar em novembro do que aqueles que apoiaram o presidente Donald Trump — um possível sinal de alerta para os republicanos às vésperas das eleições de meio de mandato.

A pesquisa, realizada ao longo de seis dias e concluída na segunda-feira (5), também constatou que os homens estavam mais entusiasmados e mais decididos a votar do que as mulheres, e que os eleitores do sexo masculino mostravam sinais de migração para o lado democrata.

Isso pode indicar uma erosão do apoio republicano em um segmento demográfico que foi um pilar da vitória de Trump em 2024.

Cerca de 48% dos eleitores de Harris em 2024 disseram estar “muito entusiasmados” para votar nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, quando o controle de ambas as casas do Congresso estará em jogo.

Em comparação, apenas 30% dos eleitores de Trump afirmaram o mesmo na pesquisa.

Os resultados reforçam as evidências de uma diferença de entusiasmo favorável aos democratas e sugerem possíveis fissuras na coalizão que impulsionou Trump em 2024, quando ele venceu no voto popular.

Kamala Harris discursa a apoiadores no Michigan • Evelyn Hockstein/Reuters via CNN Newsource

Essa coalizão foi alimentada por um forte apoio masculino e por ganhos entre eleitores hispânicos e outros grupos demográficos que se voltaram para a direita na eleição de 2024.

A pesquisa também se soma a uma série de sinais encorajadores para os democratas, que são amplamente favoritos para conquistar o controle da Câmara dos Representantes e permanecem competitivos na disputa pelo Senado, enquanto os índices de aprovação de Trump caem em meio às preocupações dos eleitores com o custo de vida e a guerra com o Irã.

O estrategista republicano Charlie Gerow afirmou que os resultados da pesquisa aumentam a importância dos esforços de seu partido para mobilizar o eleitorado, embora ele espere que a diferença de entusiasmo diminua à medida que as preocupações com a possível ascensão ao poder de democratas motivem os eleitores republicanos.

“O entusiasmo precisa ser estimulado entre os republicanos, pois o comparecimento às urnas é o que determinará o resultado dessas eleições de meio de mandato”, disse Gerow.

Enquanto a grande maioria dos eleitores de Trump planeja votar em candidatos republicanos e os eleitores de Harris estão igualmente inclinados a votar em democratas, os apoiadores do presidente para 2024 estão menos decididos: 13% afirmam não saber em quem votar nas eleições para o Congresso, em comparação com 7% dos apoiadores de Harris que dizem o mesmo.

Declínio generalizado no apoio

Presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Salão Oval da Casa Branca
Presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Salão Oval da Casa Branca 30 de setembro de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque • REUTERS

A pesquisa, realizada em âmbito nacional com 4.506 adultos pela internet, mostrou que apenas 32% dos americanos aprovavam a presidência de Trump, mantendo-se em um nível mínimo histórico registrado pela primeira vez em uma sondagem da Reuters/Ipsos de setembro. A pesquisa tem uma margem de erro de 2 pontos percentuais.

Desde que assumiu o cargo em janeiro de 2025, o apoio a Trump caiu em todos os principais grupos demográficos, incluindo quedas de dois dígitos entre hispânicos, homens, eleitores de áreas rurais e suburbanas, pessoas sem diploma universitário e cristãos evangélicos.

Uma mudança notável ocorreu entre os homens, grupo que Trump conquistou em todas as suas três campanhas presidenciais — inclusive com uma vantagem de 12 pontos em 2024, segundo uma análise do Pew Research.

Ao serem questionados sobre como votariam para o Congresso se as eleições fossem hoje, os homens entrevistados na pesquisa mais recente da Reuters/Ipsos escolheram os Democratas em vez dos Republicanos, por 43% a 39%.

Essa vantagem de quatro pontos dos Democratas foi a maior registrada durante o segundo mandato de Trump.

Os homens haviam demonstrado preferência consistente pelos Republicanos ao longo de 2025, mas, desde agosto, têm optado majoritariamente pelos Democratas.

Os sinais de alerta para os Republicanos refletem a crescente preocupação dos eleitores com o alto custo de vida, em meio à disparada dos preços da gasolina e do diesel após a guerra com o Irã.

Trump ordenou os ataques ao Irã em fevereiro, apesar de ter prometido, durante a campanha, que não iniciaria novos conflitos e que reduziria os custos para os consumidores.

O custo de vida é a principal preocupação dos americanos ao decidirem seu voto para o próximo mês, segundo a pesquisa Reuters/Ipsos. Os eleitores apontam os valores democráticos como a segunda questão mais importante, seguidos pela imigração.

Os Republicanos mantêm vantagem entre os eleitores mais velhos — um segmento crucial nas eleições de meio de mandato, quando os idosos historicamente representam uma parcela significativa do eleitorado.

Eleitores com 50 anos ou mais ainda preferem o Partido Republicano ao Democrata por 2 pontos percentuais (44% contra 42%), embora essa margem tenha diminuído em relação à vantagem republicana de 8 pontos registrada em dezembro.

Ainda assim, a diferença de entusiasmo representa um desafio considerável para os Republicanos.

Entre todos os eleitores entrevistados que se disseram entusiasmados, 62% afirmaram estar muito motivados para manifestar oposição a Trump, em comparação com 36% que disseram estar ansiosos para apoiar o presidente.

Linda Rivera, uma eleitora de Trump de 46 anos na Pensilvânia, disse que, embora provavelmente vote em um candidato republicano caso compareça às urnas, sente-se frustrada com ambos os partidos e não demonstra nem entusiasmo nem desânimo em relação à votação do próximo mês.

Rivera, uma das participantes da pesquisa, afirmou que as preocupações com fraudes eleitorais generalizadas — alimentadas repetidamente por Trump e seus aliados republicanos, sem apresentação de provas — aumentaram suas dúvidas sobre se irá votar.

“Perdi a fé no processo eleitoral”, disse ela à agência de notícias Reuters. “Perdi a fé em ambos os partidos. Não apenas em um.”

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