A Itália anunciou nesta sexta-feira (31) a suspensão por um mês das regras do Espaço Schengen, um acordo que permite a livre circulação de pessoas, com a Espanha. A ação é resposta à chegada em massa de imigrantes ao território espanhol de Ceuta, vindos do Marrocos.
O Espaço Schengen permite viagens sem necessidade de passaporte entre 29 países europeus, embora os Estados-membro possam reintroduzir temporariamente controles de fronteira por motivos de segurança ou ordem pública.
Embora a Itália não compartilhe fronteira terrestre com a Espanha, a medida afetará pessoas que se deslocam de avião ou barco entre os dois países, exigindo a apresentação de passaporte para a entrada.
O Ministério do Interior italiano informou, em comunicado, que também acordou com a França o reforço dos controles na fronteira terrestre entre os dois países, visando impedir a passagem de imigrantes sem documentação.
A polícia de fronteira realizará “verificações seletivas e direcionadas” em cidadãos de outros países que cheguem da Espanha, para confirmar se possuem a documentação necessária para viajar dentro da União Europeia.
Críticos do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni classificaram a medida como um gesto simbólico voltado ao público interno, apontando a ausência de evidências de que os imigrantes em Ceuta pretendam seguir para a Itália.
A decisão de suspender o acordo de Schengen ocorre após a Espanha anunciar que havia contido a onda de imigrantes em seu território no norte da África, sendo que a maioria das cerca de 50 mil pessoas que haviam cruzado a fronteira teria retornado voluntariamente.
A coalizão de Meloni, que assumiu o poder em 2022 com a promessa de reduzir a imigração ilegal, tem enfrentado forte pressão de um novo partido liderado pelo ex-general do Exército Roberto Vannacci, cuja retórica anti-imigração tem encontrado apoio entre alguns eleitores.
Com a questão migratória novamente em destaque no noticiário, o governo busca demonstrar firmeza na segurança das fronteiras. Opositores acusaram o governo de ceder a uma agenda populista.
“O problema é que se trata de uma proposta puramente demagógica, concebida — como de costume — para consumo interno e para competir com Vannacci, sem resolver absolutamente nada”, afirmou Piero De Luca, parlamentar de destaque do Partido Democrático.

