O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está culpando assessores de alto escalão e estrategistas políticos pela estratégia vacilante para as eleições de meio de mandato, questionando os gastos com a campanha e as escolhas dos candidatos e criticando o redesenho dos distritos eleitorais, enquanto os republicanos lutam para manter o controle do Congresso, afirmaram três pessoas a par das discussões internas.

Trump não está na cédula eleitoral de 3 de novembro, mas diz repetidamente aos apoiadores para fingirem que ele está concorrendo, na esperança de mobilizar eleitores que, de outra forma, poderiam deixar de votar.

Ele embarcou em uma agenda frenética de campanha, ao mesmo tempo em que evita, em grande parte, reconhecer seu próprio papel na definição da estratégia e como sua impopularidade está pesando sobre os candidatos republicanos em disputas acirradas.

Grande parte do atrito tem se concentrado em James Blair, o assessor de longa data que dirige o super PAC de Trump, o MAGA Inc., e na chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, que até agora havia escapado em grande parte das críticas. Trump criticou a forma como Blair administra os fundos de campanha, enquanto alguns funcionários da Casa Branca e aliados questionaram a supervisão de Wiles sobre a operação política.

Enquanto Trump questiona por que os gastos com a campanha não conseguiram melhorar os números das pesquisas dos republicanos, seus assessores também estão se culpando mutuamente. Wiles culpou Blair, enquanto Blair culpou a equipe de assuntos legislativos da Casa Branca, disse uma das pessoas.

“O que está realmente acontecendo é um ‘pelotão de fuzilamento circular’”, disse a fonte.

As pesquisas de opinião sugerem que os democratas conquistarão a Câmara dos Deputados, enquanto a disputa pelo Senado continua acirrada demais para se prever o resultado. Perder a Câmara prejudicaria a agenda legislativa de Trump nos dois últimos anos de seu mandato e daria aos democratas o poder de intimar testemunhas para investigar seu governo.

Trump defendeu Wiles na sexta-feira (16), chamando-a de “inteligente” e “dura” e afirmando que ela permaneceria no cargo. “Susie está aqui e vai ficar aqui por muito tempo”, disse ele.

O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, rejeitou a caracterização dada pelas fontes, dizendo que se tratavam de “especialistas de poltrona divulgando suas especulações infundadas”. Wiles não respondeu a um pedido de comentário.

A chefe de gabinete Susie Wiles e o vice-chefe de gabinete James Blair participam de uma reunião na Sala de Situação da Casa Branca,
A chefe de gabinete Susie Wiles e o vice-chefe de gabinete James Blair participam de uma reunião na Sala de Situação da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 21 de junho de 2025. Partes desta foto foram desfocadas por motivos de segurança. Casa Branca/Daniel Torok/Divulgação via REUTERS/Foto de arquivo • via REUTERS

Trump se distancia de revés político

Há muito tempo, Trump busca se distanciar de reveses políticos. Ele se recusou a aceitar sua derrota nas eleições de 2020 e afirmou, antes dos resultados das eleições de meio de mandato de 2022, que merecia “todo o crédito” se os republicanos vencessem, mas “não deveria ser culpado de forma alguma” se perdessem. Mais recentemente, ele lembrou ao público que o partido do presidente costuma enfrentar dificuldades nas Midterms.

Mas Trump ajudou a elaborar e impulsionar algumas das estratégias que agora questiona, incluindo o esforço de redistritamento e as escolhas de candidatos moldadas por suas lealdades pessoais ou queixas.

O índice de aprovação de Trump está no ponto mais baixo de sua presidência, prejudicado pela preocupação dos eleitores com os preços altos e pela insatisfação com a guerra contra o Irã.

US$200 milhões e redistribuição eleitoral

Com Trump questionando por que as pesquisas dos republicanos em disputas decisivas não melhoraram, apesar dos gastos de campanha da MAGA Inc. — que, segundo registros públicos, somam US$200 milhões até o momento –, ainda não está claro se ele aprovará mais gastos antes da eleição, disse uma das fontes.

Trump também pressionou assessores políticos e consultores na última semana para que explicassem por que a iniciativa de redistribuição distrital que ele promoveu pessoalmente não conseguiu gerar ganhos republicanos mais evidentes, disseram duas fontes.

O Texas é uma preocupação especial. Os republicanos redesenharam o mapa eleitoral do Estado para ganhar cadeiras, mas a estratégia depende, em parte, de que os eleitores hispânicos compareçam às urnas como fizeram na eleição de 2024.

Pesquisas de opinião sugerem que esse apoio pode ser difícil de repetir em meio a preocupações com o custo de vida e com a forma como Trump tem conduzido a economia. Alguns republicanos temem que os novos limites eleitorais possam sair pela culatra, deixando os candidatos à reeleição mais vulneráveis, em vez de dar vantagem ao partido.

“O redistritamento fragmentou demais os eleitores de Trump”, disse uma das fontes. Trump havia dito que Blair deveria retornar à Casa Branca após as eleições de meio de mandato, descrevendo sua saída como uma “breve licença”. Mas duas fontes afirmaram que seu retorno agora é improvável. “Ele não vai voltar. Isso não vai acontecer”, disse uma delas.

Não estava tão claro como as coisas se desenrolariam para Wiles, que desempenhou um papel central na vitória de Trump em 2024 e a quem os aliados e assessores de Trump atribuem o mérito de ter trazido maior disciplina à Casa Branca em seu segundo mandato.

Trump “pode estar incomodado com certas coisas, mas ela tem mantido essa máquina funcionando de forma eficaz”, disse uma quarta fonte próxima à Casa Branca.

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