O tarifaço imposto pelos Estados Unidos tem gerado impactos diretos no cenário eleitoral brasileiro, segundo o CEO da AP Exata, Sergio Denicoli, ao WW.

De acordo com análise de dados de redes sociais feita pela agência de dados, há uma influência direta dos Estados Unidos nas eleições do Brasil, o que tem prejudicado majoritariamente a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Os dados levantados pela AP Exata indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manteve estável ao longo do período analisado, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registrou queda de 2.3 pontos percentuais em menções positivas.

Segundo Denicoli, a esquerda tem associado Flávio ao tarifaço e explorado temas como o PIX, construindo um discurso de que a família Bolsonaro seria contrária ao sistema de pagamentos. “É um discurso muito fácil, que tem sido absorvido pelas redes”, afirmou.

Trump aparece em 40% das menções a Flávio Bolsonaro

Denicoli destacou que a AP Exata também analisa dados temáticos, identificando quais assuntos aparecem associados a cada pré-candidato. No mês de julho, o presidente americano, Donald Trump, surgiu em 27% das publicações que mencionavam Lula.

Já no caso de Flávio, o nome do líder norte-americano esteve presente em 40% das menções. “Há uma influência direta dos Estados Unidos na eleição brasileira, pelo menos em termos de imagem, e isso já tem afetado negativamente o Flávio“, declarou.

O analista também ressaltou que a associação de um político brasileiro com Trump não é bem vista pelo eleitorado moderado. “Trump não é querido nem nos Estados Unidos, quanto mais no Brasil”, disse Denicoli, acrescentando que Trump carrega uma negatividade muito forte por defender interesses próprios.

Para ele, é justamente o perfil moderado que mais pesa nas disputas narrativas das redes sociais, e esse segmento tem se mostrado mais favorável a Lula no contexto do tarifaço.

Dominância narrativa e o papel dos moderados

Ao ser questionado sobre se as narrativas tendem a se equilibrar com o tempo — como ocorreu em outros episódios como o caso Master, a situação da Venezuela e a guerra na Faixa de Gaza —, Denicoli explicou o conceito de “dominância narrativa”.

Segundo ele, o que define o impacto de um tema é quem consegue falar mais nas redes e formar mais opinião.

Ele citou como exemplo a repercussão de uma foto de Flávio Bolsonaro (PL) ao lado do cúmplice de Daniel Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, que circulou nas redes: “Rapidamente, a direita conseguiu substituir a dominância narrativa que vinha da esquerda”, anulando os efeitos negativos.

No entanto, no caso da taxação, o analista avalia que a situação é mais complexa, pois envolve diretamente os moderados insatisfeitos com as tarifas, tornando mais difícil para Flávio reverter o desgaste de imagem.

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