Um trio de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de grande projeção política flerta com uma velha ideia dos tempos da ditadura militar. A volta da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.
Os motivos mencionados agora para se reconsiderar uma lei que o próprio Supremo derrubou, em 2009, guardam grande semelhança com os motivos alegados naqueles tempos. É a necessidade de controle.
Naqueles tempos a obrigatoriedade do diploma era uma forma de reduzir o número de pessoas que se podiam declarar jornalistas. Não é muito diferente do que sugerem hoje os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
Dino acha um complicador extender garantias básicas – tais como liberdade de expressão e sigilo das fontes, previstas na constituição – a qualquer blogueiro. Moraes acha que qualquer um nas redes sociais passa a se dizer jornalista e a ofender outros, e se protege na liberdade de imprensa.
Gilmar Mendes admitiu que a volta do diploma pode ser rediscutida no Supremo caso entenda que tem havido comprometimento da qualidade da informação. Embora ele mesmo, em 2009, relatando essa matéria, tivesse dito que formação acadêmica não funcionava como vacina contra o mau jornalismo.
O que é bom ou mau jornalismo, ou o que é jornalismo investigativo ou que deveria ser investigado não cabe a juízes do Supremo decidir. Cabe ao público e ao Código Penal. O jornalismo não inventou escândalos nos quais aparecem nomes de ministros do STF.
Ele apenas cumpre sua função de informar.
O que realmente preocupa é quando poderosos do Supremo poder se sentem incomodados com informações.

