O chefe do Executivo assumiu um lado na briga dentro do Judiciário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o ministro André Mendonça utilizou o cargo para fazer política.

Dizendo que isso está provado, seria o caso de se convocar Lula como testemunha, pois no Supremo ainda não se decidiu – quer dizer, julgou – se Mendonça fazia política.

Quando a investigação que ele relatava extraiu do celular do vigarista Daniel Vorcaro mensagens ligando o ministro Alexandre de Moraes ao escândalo, que foi o articulador de uma ação política aberta e declarada, juntando os presidentes da camara e do senado para aprovar matérias que lula julga importantes para sua campanha de reeleição.

Ao assumir publicamente um lado na fratura dentro do Supremo, Lula embarcou o executivo oficialmente na crise monstruosa, que tem como principal característica a dissolução das instituições, pois o que está em jogo, além das explicações que se aguarda até agora sobre as mensagens envolvendo Moraes, é o próprio funcionamento do STF.

Lá dentro, a luta interna prossegue nos mesmos moldes, ou seja, com uma ala a favor de Lula tratando de destruir o caráter de quem trouxe à luz os fatos envolvendo Moraes.

O envolvimento direto de Lula é uma inflexão na sua campanha, até aqui cautelosa em relação ao Supremo. Nenhuma surpresa foi o anúncio de que vai aumentar o Bolsa Família para coincidir com o segundo turno.

Isso é típico de qualquer populista, e de Lula em especial. É promover a festa hoje e alguém vai ter de pagar a conta depois.