Davi Alcolumbre (União-AP) saiu publicamente em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) após o petista ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal na quinta-feira (18). Na avaliação da analista de Política Isabel Mega, esse apoio foi um “gesto calculado” do presidente do Senado.
“A gente tem que olhar com uma visão macro dos acontecimentos de uma semana para cá. Uns mirando Alcolumbre, outros mirando o PT, e um sentimento de união da classe política, principalmente no Senado”, afirmou Mega ao Live CNN desta sexta-feira (19).
Na quinta à tarde, Alcolumbre interrompeu uma sessão que conduzia no Plenário para falar com jornalistas e mencionou publicamente o que estava acontecendo com Wagner. Mega observou que este é um tipo de postura que o presidente do Senado não costuma adotar.
“É um gesto de retribuição ao apoio que Jaques Wagner manifestou a ele, Alcolumbre, no início da semana”, observou Mega. Na terça-feira (16), Alcolumbre usou o plenário do Senado Federal para se defender de acusações veiculadas pela revista Veja, que o ligavam ao caso Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, recebendo uma rede de apoio que foi do PT ao PL.
Para além da camada de reciprocidade entre os dois senadores, Mega avalia que o gesto de Alcolumbre representa também uma espécie de “senha” enviada ao Palácio do Planalto, sinalizando que ele deseja conversar pessoalmente com Lula.
Mega lembrou que relação entre Alcolumbre e o governo federal está estremecida, tanto pelas trocas de farpas entre ele e o próprio Jaques Wagner desde o ano passado quanto a rejeição à indicação do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo interlocutores do Planalto ouvidos pela analista, Lula poderia ter abertura para esse encontro após sua volta ao Brasil, na sequência do G7.
“O que falam muito para a gente é que Davi Alcolumbre quer encontrar pessoalmente o Lula, que tem coisas que precisam ser tratadas a nível pessoal“, disse Isabel Mega.
Entre os temas que poderiam ser negociados nesse eventual encontro está a PEC que trata do fim da jornada 6×1, que segue em compasso de espera, sem qualquer despacho de Alcolumbre, mas que permanece como uma das metas de aprovação do governo ainda neste semestre.
Estratégias eleitorais
O caso Master segue como elemento central nas estratégias das campanhas políticas para o ano eleitoral. Mega apurou que o bolsonarismo trabalha a situação de Jaques Wagner com cautela, mas já estabelecendo uma equivalência entre Wagner e Lula, argumentando que os dois são aliados históricos e que o escândalo teria raízes no PT da Bahia.
Do outro lado, aliados de Lula sustentam que Wagner e Lula são figuras distintas e que, diferentemente do que ocorreu com Flávio Bolsonaro e o vazamento de conversas com Vorcaro, Lula não é o personagem diretamente implicado nos escândalos do Master.
“No final das contas, a gente está vendo eles dividindo esse ônus que virou o caso Master, que é um elemento radioativo para a classe política”, afirmou a analista.
Outro ponto de atenção levantado por Isabel Mega é o futuro de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado. Havia expectativa de que Wagner colocasse o cargo à disposição após ser alvo da operação da PF.
Em entrevista à Band News na quinta-feira, Wagner deixou a decisão nas mãos de Lula, com quem teria conversado mais cedo, dando a entender que pretende continuar no posto.
Internamente, há uma avaliação de que manter Wagner na função seria uma forma de blindar um aliado. “É um cálculo muito delicado que precisa ser feito pelo presidente Lula, inclusive passando por qual mensagem ele quer passar“, analisou Isabel Mega.

