O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), teve um reencontro com a madrasta Michelle Bolsonaro descrito como “leve” por aliados, com quem passou a terça-feira (11) gravando material de campanha.
Esta terça marcou o primeiro encontro entre Flávio e Michelle desde os desentendimentos públicos por divergências eleitorais e disputas sobre o espólio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A reunião de Flávio, Michelle e cerca de 30 aliados aconteceu numa casa que serve de apoio à campanha presidencial de Flávio no Lago Sul, bairro de Brasília.
Além de conversar com Flávio, Michelle também participou de gravações de peças de campanha com candidatos apoiados pelo PL e orou no local com os presentes. Na fala, ela defendeu a eleição de “homens e mulheres de bem”, enquanto Flávio segurava um quadro da foto presidencial do pai.
O clima de trégua tem um objetivo que vai além da reconciliação familiar: reforçar a imagem de unidade do grupo na campanha presidencial e melhorar a imagem de Flávio entre mulheres. Michelle disse estarem todos “no mesmo espírito”, não guardar mágoas e questionou “qual família é perfeita?”.
Ainda assim, ex-primeira-dama sinalizou que procurará manter uma autonomia própria nas declarações e no rumo de sua vida política. Candidata ao Senado pelo PL no Distrito Federal, ela disse que deixou uma “base” pronta para Flávio por meio de seu trabalho à frente do PL Mulher, mas sem se comprometer com a presença em eventos de campanha do enteado por conta dos cuidados com o marido.
“Um dia de cada vez. Mas ele [Flávio] pode contar comigo nas redes sociais.”
Michelle também voltou a criticar Ciro Gomes (PSDB), disse que gostaria que o vice escolhido de Flávio fosse uma mulher e não quis falar sobre relação dela com os outros filhos políticos de Jair Bolsonaro. Ainda, disse não ter sido tão respeitada no quesito de autonomia dentro do PL para trazer mais mulheres para a política.
De acordo com políticos que estiveram presentes no encontro, Michelle estava tranquila e disposta a filmar ou tirar fotos com todos que pediam. Ela passou quase duas horas no local.
Quem ficou praticamente todo o dia na casa para gravar as peças de campanha para as redes sociais e a propaganda eleitoral na televisão, que começa dia 28, foi Flávio. Neste primeiro momento, o foco foram os candidatos ao Senado apoiados por ele, fossem do PL ou não, de todo o país.
Estiveram presentes, por exemplo, José Medeiros (PL-MT), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Carlos Portinho (PL-RJ), Gustavo Gayer (PL-GO), Marcelo Queiroga (PL-PB), Filipe Barros (PL-PR), Hélio Lopes (PL-RR), Coronel Hélio Oliveira (PL-RN), Guilherme Derrite (PP-SP), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Marcel van Hattem (Novo-RS).
Também marcaram presença o senador e coordenador nacional da campanha de Flávio, Rogério Marinho (RN), o vice na chapa, Alfredo Gaspar (PL-AL), e o senador Wellington Fagundes (PL-MT), candidato ao governo estadual matogrossense.
Segundo relatos, as gravações aconteceram num espaço reservado pela equipe de comunicação da campanha. Cada aliado podia optar por usar um teleprompter – equipamento para leitura de texto enquanto ocorre a filmagem – ou falar mais espontaneamente ao lado de Flávio. A maioria aproveitou para gravar mais de uma versão das peças para a propaganda eleitoral.
Nem todos conseguiram gravar já com Flávio. A perspectiva é que as filmagens e fotos continuem.
Segundo Flávio, ele está apoiando 47 candidatos da direita ao Senado. Em determinado momento, o presidenciável chegou a tirar fotos com os presentes à beira da piscina no jardim, com um grande banner seu atrás.
Na hora do almoço, em clima de confraternização, foi servido um churrasco com acompanhamentos e com direito a barris de chopp, entre outras bebidas não alcóolicas. Flávio chegou a levar um pouco da comida do almoço para jornalistas que faziam a cobertura do encontro na portaria da casa e aproveitou para fazer críticas ao ministro do Supremo Alexandre de Moraes.
Flávio ainda alinhou o discurso com os colegas e reforçou a necessidade de se ter maioria no Senado a partir do ano que vem para aumentar a possibilidade de impeachment de ministros da Corte.

