A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ingressou na madrugada desta quarta-feira (23) com uma representação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para impedir que Luiz Inácio Lula da Silva utilize na propaganda eleitoral imagens ou trechos do discurso proferido na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.
A analista de Política da CNN Clarissa Oliveira avalia, ao Live CNN, que a estratégia jurídica se apoia em um precedente criado durante a campanha de Jair Bolsonaro, quando a campanha adversária acionou a Justiça Eleitoral por situação semelhante.
Segundo Clarissa, a leitura do movimento é bastante evidente: “A gente não acha errado que ele suba na tribuna, na ONU e faça um discurso como esse. Afinal de contas, Jair Bolsonaro fez e foi a campanha adversária que acionou a Justiça Eleitoral na época contra ele. Mas a questão é: se não pode para um, não pode para o outro também”, explicou o argumento usado pela campanha.
Divergências no TSE enfraquecem o argumento
O problema da alegação da campanha de Flávio Bolsonaro, de acordo com Clarissa Oliveira, é que, na época do caso envolvendo Jair Bolsonaro, o próprio TSE não foi unânime em seu julgamento.
“O Tribunal Superior Eleitoral não era unânime em avaliar que teria de fato havido um abuso da parte de Jair Bolsonaro ao falar sobre eleições na tribuna da ONU”, destacou a analista.
Ela acrescentou que, se o caso cair nas mãos de um ministro com entendimento de que outros chefes de Estado também trouxeram questões eleitorais à tribuna da ONU sem que isso fosse considerado problema, a campanha de Flávio pode ter um revés.
Semelhanças entre os discursos
Clarissa Oliveira fez uma comparação entre os discursos de Jair Bolsonaro, em 2022, e o de Lula na Assembleia Geral deste ano. Segundo ela, o discurso de Jair Bolsonaro teve “movimentações mais explícitas em aproveitar aquele momento para fazer um discurso voltado ao eleitorado brasileiro”.
O ex-presidente teria citado desemprego, economia, o número de venezuelanos que chegou ao Brasil, a ‘Operação Acolhida’, a guerra na Ucrânia e ainda encerrando com referência às manifestações do 7 de setembro.
Já Lula, segundo a analista, também direcionou parte de seu discurso ao eleitorado nacional, mencionando, por exemplo, o fim da escala 6×1, tema que, nas palavras de Clarissa, “nada tem a ver com o palco da ONU”.
Movimento legítimo, mas de impacto limitado
Apesar de considerar a representação um movimento jurídico legítimo e esperado da campanha de Flávio Bolsonaro, Clarissa Oliveira ressaltou que ele tem impacto limitado.
Mesmo que o TSE vete o uso das imagens na propaganda eleitoral gratuita, isso não impede que o material seja disseminado nas redes sociais e aproveitado como estratégia de campanha por outras vias.
“Isso valeu também para Jair Bolsonaro naquela época”, lembrou a analista. Clarissa ainda observou que a exposição de Lula na ONU é especialmente relevante neste momento eleitoral, em especial diante das especulações sobre uma possível interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.

