O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ganhou uma sobrevida política após uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mantendo sua posição e sua pré-candidatura ao Senado. A avaliação é da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira ao Live CNN.
No entanto, o episódio gerou um forte clima de desconfiança nos bastidores do PT, dividindo opiniões dentro do partido e do governo federal sobre qual deve ser a postura diante das denúncias que envolvem o senador.
Segundo a análise de Clarissa Oliveira, ainda existe uma divisão clara dentro do Partido dos Trabalhadores. De um lado, uma ala próxima ao presidente Lula saiu em defesa de Wagner, argumentando, mesmo em conversas reservadas, que se trata de uma liderança muito expressiva dentro do PT e que deve prevalecer o princípio da presunção de inocência.
Uma fonte ouvida pela analista destacou que o próprio Lula costuma dizer, ao se deparar com denúncias contra aliados de confiança, que já foi acusado — o que ele considera ter ocorrido de forma injusta — e que, por isso, é preciso dar aos seus pares a oportunidade de se defenderem.
Pressão interna e expectativa de afastamento
Do outro lado, uma ala igualmente expressiva do partido entende que o projeto político do PT e a campanha pela recondução de Lula devem ser a prioridade neste momento. Muitos líderes petistas esperavam que Wagner tomasse espontaneamente a iniciativa de se afastar da liderança do governo.
Isso, no entanto, não aconteceu. Wagner insistiu em sua permanência no cargo e, em entrevista concedida à Band News, afirmou não acreditar que o presidente lhe pediria para deixar a função. As explicações dadas pelo senador não convenceram parte significativa de seus pares dentro do partido.
A conversa entre Lula e Wagner resultou, pelo relato do próprio senador, na decisão de aguardar a situação se estabilizar. A intenção, segundo interlocutores do presidente ouvidos por Clarissa, é que Lula cumpra uma série de agendas intensas nos próximos dias e, em seguida, se encontre pessoalmente com Wagner — que estava em Salvador (BA) — para conversar com mais profundidade sobre o caso.
Dessa forma, Wagner manteve sua sobrevida no cargo e na condição de homem da confiança do presidente, ao menos por ora.
Oposição avalia como explorar o caso
O governo já tem ciência de que o episódio será explorado pela oposição, e essa abordagem, segundo as apurações de Clarissa Oliveira, ainda está em fase inicial.
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que tomou conhecimento da operação enquanto estava em São Paulo para o lançamento de seu programa de governo na área de segurança pública, ainda não reuniram a equipe para um diagnóstico mais aprofundado.
Esse movimento deve ocorrer nos próximos dias, com o objetivo de definir com precisão os pontos de ataque, sem expor o próprio Flávio a contra ataques.
Uma das estratégias que deve ser adotada, segundo interlocutores do senador ouvidos por Clarissa, é explorar o vínculo pessoal entre Lula e Wagner, ressaltando que não se trata de qualquer petista, mas de um homem da extrema confiança do presidente.
Além disso, o círculo mais próximo de Flávio Bolsonaro (PL) avalia que as denúncias contra Wagner são mais graves do que aquelas que atingem o próprio pré-candidato do PL.
O argumento é que, no caso de Flávio, o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro teria sido para financiar um filme, com oferta de participação na bilheteria, sem obtenção de vantagem pessoal.
Já a investigação da Polícia Federal que envolve Jaques Wagner avança na direção da obtenção de benefícios para ele próprio e para seus familiares — o que, na avaliação desse círculo, torna o caso estrategicamente relevante para a disputa presidencial.

