Após o anúncio da descoberta de petróleo na margem equatorial, na foz do Amazonas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estiveram juntos no Amapá nesta segunda-feira (17) para visitar o navio-sonda da Petrobras, que realiza atividades exploratórias em águas profundas na costa do estado. O analista de Política da CNN Pedro Venceslau comenta o tema.
O encontro marcou um novo capítulo na relação dos dois, que passaram cerca de três meses distanciados.
Em coletiva realizada no fim da tarde, Alcolumbre classificou a agenda como histórica para o Amapá e para o Brasil, agradeceu o apoio de Lula à exploração de petróleo na região e defendeu a soberania energética no uso dessa riqueza para o desenvolvimento do país.
Lula, por sua vez, afirmou que a descoberta representa uma conquista nacional e pode abrir uma porta muito importante para o estado do Amapá. Ele também voltou a defender a Petrobras, criticou a Lava Jato e sinalizou a intenção de fortalecer a capacidade nacional de produção e refino.
Para Pedro Venceslau, a agenda no Amapá teve uma clara dimensão política.
Ele destacou que Lula dificilmente se deslocaria ao estado apenas para fazer campanha, não fosse a questão do pe tróleo. “O presidente Lula não ia se deslocar para fazer campanha no Amapá se não fosse essa questão do petróleo”, afirmou Pedro Venceslau.
Múltiplos pontos de conexão entre os dois líderes
Pedro Venceslau enumerou os fatores que aproximam Lula e Alcolumbre neste momento. Além da questão do petróleo, ele citou a eleição no Amapá, a disputa pela mesa diretora do Senado em 2027 e as pautas legislativas do governo.
Sobre a presidência do Senado, o analista explicou que Alcolumbre, que tem mais quatro anos de mandato, percebeu que não contará com o apoio do PL na próxima legislatura, já que o partido já apresenta dois nomes para a disputa: Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).
“Ele volta o seu olhar para o governo, que sinaliza que pode apoiá-lo, criando assim uma possibilidade de uma aliança que pode unir o Centrão, PSD, Republicanos, o próprio PT, para vencer e derrotar a candidatura do PL”, analisou Pedro Venceslau.
O analista também destacou que, ao colocar em pauta o fim da escala 6×1, Alcolumbre oferece narrativa ao governo Lula e ao PT, permitindo que o partido mostre que suas pautas estão avançando. “Quando o Davi Alcolumbre bota para jogo o fim da escala 6×1, ele dá narrativa para o governo Lula”, disse Pedro Venceslau.

