O Conselho Superior do MPF (Ministério Público Federal) decidiu, na última sexta-feira (25), por 5 votos a 4, rejeitar a abertura de investigação contra Paulo Gonet, procurador-geral da República.
A decisão, contudo, gerou desdobramentos que vão além do próprio julgamento, com a possibilidade de mudança na representação da Procuradoria-Geral da República no CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
De acordo com o analista Teo Cury, ao CNN Novo Dia, um dos quatro subprocuradores que votaram a favor da investigação contra Gonet foi José Adonis Callou de Araújo Sá.
O que torna o episódio ainda mais delicado é o fato de que esse mesmo subprocurador representa a Procuradoria-Geral da República no CNJ, cargo para o qual foi designado pelo próprio Gonet.
Clima de tensão na Procuradoria-Geral da República
Segundo Teo Cury, há uma avaliação interna na Procuradoria de que a permanência de José Adonis no CNJ não está garantida.
“Há uma avaliação de que se o Procurador-Geral da República escolheu um colega para representá-lo e na sequência esse colega é favorável a uma investigação contra o Procurador-Geral da República, fica um clima minimamente esquisito”, explicou o analista.
Ainda conforme o analista, não está claro se a saída seria uma decisão imposta pelo comando da Procuradoria-Geral da República ou se o próprio José Adonis, diante do cenário criado, optaria voluntariamente por deixar a posição. “Deve haver uma conversa nos próximos dias, ele também deve pensar se vai continuar ou não”, afirmou o analista.
O episódio ocorre em meio a um ambiente de tensões institucionais mais amplas, que também envolvem discussões no STF (Supremo Tribunal Federal).

