Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta sexta-feira (31) aponta que a família Bolsonaro é responsabilizada por 45,4% dos eleitores como a principal culpada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil desde 2025.
O governo do presidente Lula (PT) aparece com 41,5% das menções e figura na sequência da amostragem sobre o imbróglio diplomático.
Os dados mostram ainda que 8,5% consideram que tanto a família Bolsonaro como o governo Lula são igualmente culpados pela retaliação comercial, enquanto 2,5% avaliam que nenhum dos dois possui responsabilidade. Já 2,1% não souberam responder.
Questionados de forma específica sobre a capacidade de influência da família Bolsonaro nas decisões tarifárias de Washington, 32,3% enxergam muita influência nas políticas em relação ao Brasil, ao passo que 31,6% não veem influência alguma.
Outros 21,9% apontam alguma influência e 12,5%, pouca. Por fim, 1,8% não soube responder.
Metodologia
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg entrevistou 5.021 pessoas, entre os dias 22 e 27 de julho, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR).
A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.
Entenda o novo tarifaço dos EUA
A medida foi anunciada após recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
A nova sobretaxa de 25% entrou em vigor no último dia 22 e foi adicionada às tarifas já existentes sobre os produtos afetados.
Investigação dos EUA
A nova alíquota foi adotada após uma investigação conduzida pelo USTR, iniciada depois que o presidente americano Donald Trump anunciou, em julho de 2025, uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros.
A apuração foi realizada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e analisou políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e combate ao desmatamento ilegal.
Segundo o órgão, a apuração identificou práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos, levando Trump a autorizar uma ação responsiva.
Pix, etanol e tarifas preferenciais como problemas
O governo americano afirma que as políticas brasileiras criam condições desiguais de concorrência.
Entre os principais pontos citados estão:
- O tratamento dado ao Pix, que, segundo o USTR, favoreceria o sistema de pagamentos em relação a empresas americanas;
- Barreiras ao etanol dos EUA;
- Regimes tarifários preferenciais concedidos pelo Brasil a países como México e Índia.
- Washington não pretende acabar com o Pix, mas quer que ele compita em termos igualitários com empresas americanas.
Desmatamento
Outro argumento utilizado pelos EUA envolve a política ambiental brasileira.
Segundo o USTR, o Brasil possui legislação para combater o desmatamento, mas falhou em aplicá-la adequadamente.
Esse tema foi incluído entre os fatores que, na avaliação do órgão, contribuem para insegurança jurídica e distorções comerciais.
Café e carne ficaram fora da nova tarifa
Apesar da nova rodada de sobretaxas, produtos como café e carne bovina não serão atingidos pela medida.
Além disso, o documento do USTR prevê dezenas de exceções para produtos considerados essenciais à economia americana ou sem fornecedores alternativos suficientes, incluindo determinados produtos farmacêuticos, pescados, couros, ferro-gusa, mel orgânico, hidróxido de alumínio e componentes da indústria aeronáutica.
Alerta para retaliações
Os EUA esperam obter acesso aos mesmos regimes preferenciais concedidos pelo Brasil a outros parceiros comerciais e defendem relações comerciais em bases de reciprocidade.
Ao mesmo tempo, a autoridade comercial fez um alerta sobre possíveis respostas brasileiras.
(Com informações de Daniel Rittner, João Nakamura, Gabriel Bosa, Elis Barreto e Danilo Moliterno, da CNN Brasil)

