O feriado de 7 de setembro deve ser utilizado por grupos bolsonaristas como plataforma de mobilização política, aproveitando a crise em curso no STF (Supremo Tribunal Federal). A apuração é da analista de política Isabel Mega para o CNN 360º, que ouviu bolsonaristas tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal sobre as expectativas para as manifestações.
Segundo Isabel, interlocutores do bolsonarismo admitiam que, até recentemente, o engajamento para os atos do 7 de setembro parecia aquém do esperado. “O que eles precisavam era de uma crise no Supremo Tribunal Federal”, relatou a analista, ao descrever a avaliação que circulava entre os aliados do movimento.
André Mendonça como bandeira e ataques a Alexandre de Moraes
A expectativa é de que as manifestações incluam uma defesa explícita de André Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e que passou a ser utilizado como símbolo pela direita em meio à crise na corte.
Ao mesmo tempo, os protestos devem manter o script habitual do bolsonarismo, com gritos de “Fora Moraes” e “Fora Lula”. Flávio Bolsonaro, por sua vez, já aproveitou a semana para fazer discursos em defesa do impeachment de Alexandre de Moraes e críticas contundentes ao STF.
Teste de mobilização para Flávio Bolsonaro
O feriado também será interpretado como um termômetro da força eleitoral de Flávio Bolsonaro, especialmente na Avenida Paulista, em São Paulo, onde os atos devem se concentrar.
A avaliação de aliados é que os eventos do 7 de Setembro se misturam a atos de campanha do candidato. Senadores próximos a Flávio acreditam que a crise no STF pode ainda dar um impulso às suas intenções de voto nas pesquisas, proporcionando um “respiro” político em um momento que, anteriormente, era visto com mais dificuldades.
O calcanhar de Aquiles de Flávio Bolsonaro
Apesar do cenário favorável traçado por seus aliados, Flávio Bolsonaro carrega um ponto vulnerável. Segundo Isabel Mega, existe um áudio no qual ele solicita o envio de dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, para financiar o filme Dark Horse, que homenageia seu pai, Jair Bolsonaro.
“As circunstâncias em que tudo isso aconteceu não foram plenamente esclarecidas”, afirmou a analista, ressaltando que o caso não pode ser tratado como uma página virada, especialmente diante dos desdobramentos da crise envolvendo o STF e o caso Master.

