O governo federal adotou uma série de iniciativas para tentar mudar a narrativa pública após semanas em que a preocupação dos eleitores com corrupção cresceu de forma significativa. A análise é do diretor de inteligência da Quaest Guilherme Russo ao WW.
Segundo Russo, dados de monitoramento da Quaest indicam que a segurança e a violência continuam sendo o principal problema apontado pelo eleitorado brasileiro há muito tempo.
No entanto, a preocupação com corrupção apresentou um crescimento expressivo, impulsionado pelo debate em torno do STF (Supremo Tribunal Federal), fazendo o eleitor associar “corrupção” com a Corte e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Como a gente começou a semana com cada vez mais essa preocupação com corrupção, isso era muito ruim para o governo”, afirmou Russo.
Associação entre corrupção e governo pesa nas pesquisas
O especialista destacou que, quando o tema da corrupção ganha destaque no debate público, o eleitorado brasileiro tende a associá-lo ao governo Lula. A combinação desse cenário com as discussões envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o STF criava, segundo Russo, um ambiente “muito negativo para o governo”.
“Quando a gente fala de corrupção, o brasileiro associa isso ao governo Lula e junto com o STF”, explicou.
Diante desse quadro, o governo teria partido para uma mudança de pauta.
“O governo claramente começou a semana muito preocupado com as pesquisas, com a questão do STF, e agora muda muito de temática para tentar diminuir”, disse Russo, acrescentando que a série de iniciativas — incluindo o chamado “pacote de bondades” — teria o objetivo de alterar a narrativa eleitoral.
“Porque se ficasse na corrupção, a tendência era cada vez pior para o governo”, concluiu.
Caso Banco Master pulveriza a percepção do eleitor
Russo também analisou o impacto do caso Banco Master no cenário político. Para ele, o episódio é “muito simbólico” porque, aos olhos da população, envolve todos os lados do espectro político.
“Como tem gente da direita, gente da esquerda, agora diferentes juízes, é uma grande bagunça no olhar do eleitor”, afirmou.
O especialista ressaltou que a complexidade das informações dificulta o acompanhamento por parte do eleitorado. Com a saída do STF da pauta central e o surgimento de novos personagens no escândalo, o debate teria assumido um caráter mais institucional do que partidário.
“Está acima da ideologia, está acima da política, é um problema mais institucional nesse momento”, concluiu Russo.

