Em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (1º), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou o Caso Master como grave e reafirmou a necessidade de o escândalo ser apurado.
“Não estou acompanhando em detalhes as investigações. Te asseguro que o governo não intefere no trabalho da PF [Polícia Federal], doa a quem doer. Lamentavelmente, o Caso Master são mais de R$ 60 bilhões que precisam ser apurados com absoluto rigor”, afirmou.
A resposta do vice-presidente partiu do questionamento sobre o caso Master ter atingido a base do governo. No dia 19 de junho o então líder do PT no senado, Jaques Wagner, foi alvo da 9º fase da Operação Compliance Zero.
À época, a PF afirmou foram identificados elementos que indicam o “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente” por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao Banco.
Conforme noticiou a CNN, a deflagração acendeu um alerta dentro do PT, especialmente à chamada “República da Bahia“, onde a sigla mantém o poder há mais tempo no país. Foram cinco gestões consecutivas: Jaques Wagner, Rui Costa — ambos reeleitos — e o atual governador Jerônimo Rodrigues.
Além dos três governadores, nomes influentes do partido fazem parte do grupo político baiano. Entre os integrantes Sidônio Palmeira, Marqueteiro oficial do presidente Lula (PT), seu sócio Raul Rabelo, além de Éden Valadares, ligado à secretaria de comunicação do partido, que deixou o estado para atuar no comitê da pré-campanha em Brasília.
O temor do PT tem como base o risco de que a investigação alcance também Rui Costa, o que, segundo a apuração da CNN, “abalaria ao PT inteiro”.
Jaques Wagner, que deixou o cargo de liderança no senado na última semana, mantinha contato direto com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. Ele era responsável pelas operações financeiras e envio de benefícios ao político.
Segundo informações apuradas pela CNN, a amizade entre Jaques Wagner e Augusto Lima se consolidou por volta de 2017 e 2018, quando passou a se transformar em negócios.
À época, Jaques era Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia do governo Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil do atual governo, e foi quem conduziu a privatização da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), estatal que controlava uma rede de supermercados conhecida como “Cesta do Povo”. Augusto Lima foi quem venceu a licitação e assumiu a cração de uma operação de crédito consignado que se tornaria a base dos negócios de Lima, o Cartão Cesta.
*Sob supervisão de Lucas Schroeder

