Durante sessão na terça-feira (16) sobre prisões preventivas ligadas ao caso Master, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) informou ter autorizado o acesso aos dados armazenados na nuvem de Luiz Felipe Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”.

Alvo da Operação Compliance Zero, Mourão foi encontrado morto enquanto estava sob custódia da PF (Polícia Federal).

Ao analisar recursos de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contra suas prisões preventivas, Mendonça afirmou que havia inicialmente “determinado que fosse preservado o iCloud do Sicário”.

Segundo o ministro, porém, ele decidiu nesta semana autorizar a “quebra desses dados”. “Vamos ver o que virá de lá, que deixou a irmã do Sicário (Joana Mourão) passando mal”, disse Mendonça.

Para a defesa de Felipe Vorcaro, as operações financeiras apontadas pela investigação seriam regulares, submetidas aos órgãos de controle e fiscalização do sistema financeiro. Outro argumento foi o de que não haveria elementos atuais que justifiquem a manutenção da prisão.

No julgamento na Segunda Turma do STF, Mendonça defendeu as prisões preventivas de Henrique e Felipe e indicou que novos dados sobre o caso devem ser revelados. “Ainda estão sendo revelados. Tem mais coisa por vir”, afirmou o ministro.

O ministro do STF também afirmou, durante a sessão e sem citar nomes, que recebeu a proposta de um dos advogados de defesa para a possibilidade de uma “delação seletiva”.

“Perderam o pudor. ‘Queremos fazer uma delação seletiva’. Falaram na minha cara isso”, descreveu Mendonça.

“Não faço questão de delação. Agora, delação seletiva, comigo não”, respondeu o magistrado a proposta da defesa.

Mesmo sem citar nomes dessa conversa, Mendonça frisou que o episódio não envolveu o advogado José Luís de Oliveira Lima, o Juca, que deixou o caso. Também afirmou que a defesa apresentou a ele a primeira proposta de delação, mas disse que não acessou o material.