O ex-presidente do BC (Banco Central) Roberto Campos Neto presta depoimento nesta quarta-feira (7) à Polícia Federal na condição de testemunha, no âmbito das investigações sobre supostas fraudes do Banco Master envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi apurada pelo analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, ao CNN Novo Dia.
O depoimento ocorre por videoconferência e integra uma série de oitivas conduzidas pela PF para encerrar um dos inquéritos abertos sobre o caso.
Na terça-feira (6), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também prestou depoimento à Polícia Federal, igualmente na condição de testemunha e por videoconferência.
Galípolo foi convocado para falar sobre a relação de dois servidores do Banco Central — identificados como Belline Santana e Paulo Sérgio Neves — com Daniel Vorcaro, período em que ambos exerciam cargos de direção na instituição.
Servidores suspeitos de atuar como “infiltrados”
Segundo a Polícia Federal, mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que os dois servidores prestavam uma espécie de consultoria privada ao ex-banqueiro, repassando informações para beneficiar o Banco Master em um momento de instabilidade financeira da instituição.
A PF aponta ainda que Belline Santana e Paulo Sérgio Neves teriam recebido milhões de reais em propina de Vorcaro por essa suposta ajuda. Ambos foram afastados de seus cargos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e negaram as acusações em depoimentos anteriores.
O próprio Vorcaro, em depoimento anterior, não negou expressamente a relação com os servidores, afirmando ser comum que funcionários do Banco Central auxiliassem instituições financeiras. Vorcaro chegou a declarar que a cúpula do Banco Central era favorável à negociação bilionária entre o Banco Master e o BRB, ocorrida no ano passado.
Campos Neto no centro das investigações
A Polícia Federal quer saber se Campos Neto tinha conhecimento da suposta parceria entre os servidores e Vorcaro durante sua gestão à frente do Banco Central. Os investigadores também buscam apurar se ele tomou alguma providência para afastar suspeitas de favorecimento ao Banco Master.
Foi ainda durante esse período que o Banco Máxima se transformou em Banco Master, época em que Vorcaro teria inflado o patrimônio da instituição a até R$ 40 bilhões em fraudes, de acordo com a investigação.
A rodada de depoimentos também previa a oitiva de André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, que havia sido agendada para a segunda-feira anterior, mas foi adiada.
Esteves, que teria sido uma das pessoas a denunciar as fraudes do Banco Master, também será ouvido como testemunha. A data do seu depoimento ainda será remarcada para a conclusão do inquérito.

