Em sessão nesta quarta-feira (1º), a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou um requerimento que pedia por uma moção de repúdio ao Ministério das Relações Exteriores, liderado pelo chanceler Mauro Vieira.

O pedido foi apresentado pelo deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e subscrito pelo deputado Sargento Fahur (PL-PR).

O relator cita em seu requerimento um comunicado no qual o Itamaraty critica “traidores da pátria”, que teriam atuado junto aos Estados Unidos em favor de uma nova tarifa de 25% sobre importações brasileiras.

O relator reprova o direcionamento crítico do ministério a parlamentares e a suposta promoção de “uma agenda ideológica em prejuízo ao rigor técnico e à negociação pragmática”nas negociações com os Estados Unidos.

Após o relatório de Washington, a comunicação do Palácio do Planalto buscou atrelar o tarifaço ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

O PT chegou a utilizar em suas redes o termo “Tariflávio”.

“Em claro desacordo com os padrões da diplomacia profissional, as notas oficiais do Itamaraty têm empregado linguagem inadequada, incompatível com a dignidade e o decoro exigidos da chancelaria brasileira, comprometendo sua credibilidade institucional”, afirma Luiz Philippe de Orleans e Bragança.

O requerimento foi aprovado com um único voto contrário, do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que apresentou uma nota do Ministério das Relações Exteriores durante a sessão.

Nesta, o ministério diz o seguinte: “O país conduz suas relações exteriores com base no diálogo, na negociação e no respeito ao direito internacional, mas não abdica da prerrogativa soberana de defender suas posições quando confrontado com medidas que considere contrárias a seus interesses.”

Por fim, o Itamaraty lista a promoção de encontros bilaterais entre os presidentes Lula e Donald Trump, além daqueles entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de estado americano, Marco Rubio, como medidas para resolução do conflito.

“A caracterização dessa atuação como militante ou ideologizado desconsidera o fato de que os instrumentos utilizados foram exatamente aqueles reconhecidos e utilizados por estados soberanos para proteger seus interesses comerciais e econômicos perante medidas unilaterais adotadas por outros países”, finaliza a nota do Itamaraty.

*Sob supervisão de Lucas Schroeder