Após uma semana cheia no Congresso Nacional, os parlamentares devem retomar os trabalhos somente após o primeiro turno das eleições, marcado para o próximo dia 4 de outubro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou na última quinta-feira (3) a jornalistas que a próxima semana de esforço concentrado só vai ocorrer a partir de 5 de outubro.

Trata-se de um calendário político desfavorável para a bancada governista, que esperava aprovar as PECs (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança e a que acaba com a escala de trabalho 6×1 antes do pleito.

Ambas as propostas passaram pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) durante a semana, mas não foram colocadas em votação. Desta forma, não Lula não poderá dizer no palanque que aprovou a mudança na jornada de trabalho e a proposta de enfrentamento ao crime organizado.

Em entrevista à uma rádio no Ceará, Lula disse que espera um “sim” do presidente do Senado antes do segundo turno. Ao longo dos quase 4 meses de espera da proposta da PEC da 6×1, Alcolumbre mencionou que acelerar a análise da proposta seria apenas “carimbar” o texto aprovado pela Câmara dos Deputados de uma forma “eleitoreira”. Após um encontro com Lula, o parlamentar despachou a proposta, mas não levou ao plenário.

A PEC da Segurança segue os mesmos moldes. O texto permaneceu com emendas pendentes, o que impossibilitou o fim da tramitação durante a CCJ, portanto, nem chegou a ir ao plenário.

Ambas as propostas frustraram os parlamentares governistas, que esperavam utilizar a aprovação das PECs em suas campanhas à reeleição como mote principal.

Novo cenário

Apesar da definição de esforço concentrado para depois do primeiro turno, há um fator que pode ser decisivo para o humor do parlamento: a renovação de cadeiras.

Dos 513 deputados da atual legislatura, 438 tentarão se reeleger. No Senado – onde 54 das 81 cadeiras vão à eleição – apenas 32 senadores tentarão renovar seus mandatos.

A depender da linha de pensamento dos parlamentares derrotados nas eleições, as propostas podem ou não ser priorizadas, tendo em vista que só há disputa de segundo turno para governadores e presidente.