A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aguarda que a PF (Polícia Federal) disponibilize a íntegra das provas reunidas na investigação antes que uma nova data seja definida para seu depoimento. Como mostrou a CNN, a oitiva prevista para esta quinta-feira (24) foi desmarcada após pedido dos advogados.
Segundo os advogados, a delegada responsável pelo caso concordou com o argumento e informou que disponibilizará o material antes de um novo agendamento. A defesa afirma que a decisão foi tomada pela própria PF, sem necessidade de despacho do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, a quem havia recorrido.
Os advogados alegam que ainda não tiveram acesso completo aos elementos reunidos pelos investigadores, entre eles relatórios, depoimentos e dados extraídos de celulares de outros investigados.
Segundo a defesa, Vorcaro tem interesse em prestar esclarecimentos, mas precisa de pelo menos dez dias úteis, contados a partir da disponibilização integral dos documentos, para analisar o material e discuti-lo com os advogados. O ex-banqueiro está preso desde março.
O pedido se baseia na Súmula Vinculante 14 do STF, que garante ao advogado acesso amplo aos elementos de prova já documentados em investigações e relacionados ao direito de defesa.
A defesa também solicitou o adiamento de uma segunda oitiva, prevista para 30 de setembro. Até o momento, não há confirmação sobre a manutenção da data.
Os depoimentos estão ligados a diferentes frentes das investigações sobre o Master, entre elas as suspeitas de fraudes em operações com o BRB (Banco de Brasília) e a atuação do grupo conhecido como “A Turma”. Segundo a PF, o grupo teria sido financiado por Vorcaro para monitorar pessoas, obter informações sigilosas e pressionar adversários.
Histórico de adiamentos
Como mostrou a CNN, os sucessivos pedidos de adiamento das defesas de investigados atrasaram o cronograma previsto pela PF para concluir um dos inquéritos sobre o Master.
Vorcaro, no entanto, prestou depoimento à PF em 28 de agosto, por videoconferência, durante cerca de quatro horas. Ele foi ouvido na investigação sobre dois ex-servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Master em troca de vantagens financeiras. Na ocasião, negou ter recebido informações privilegiadas e voltou a sinalizar interesse em fechar acordo de colaboração premiada.

