O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), defendeu nesta terça-feira (18) o respeito à soberania e à autodeterminação dos países e afirmou que o Brasil deve ter cautela ao fazer avaliações sobre a política interna de outras nações. A declaração foi feita durante o julgamento na Primeira Turma que aprovou, por unanimidade, a extradição do cidadão russo Alexander Davydov, condenado por fraudes com criptomoedas na Rússia.

Ao acompanhar o voto da relatora, Cármen Lúcia, Dino citou os princípios do artigo 4º da Constituição, como independência nacional e autodeterminação dos povos, para criticar “julgamentos morais” estrangeiros.

“Por isso mesmo, merecem sempre cautela considerações acerca da política interna de outros países, uma vez que não é cabível uma abordagem etnocêntrica [julgar cultura diferente com próprios valores] segundo a qual nós somos as réguas morais do mundo. Outros fazem isso, fazem indevidamente”, afirmou.

A fala ocorre em meio a um novo episódio de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o jornal britânico Financial Times, o governo do presidente Donald Trump estuda impor novas sanções ao ministro Alexandre de Moraes.

Moraes e sua mulher, Viviane Barci, foram alvos de sanções americanas em 2025. Na ocasião, o ministro foi enquadrado pela administração Trump na Lei Magnitsky, sob a acusação de violações de direitos humanos. As restrições foram retiradas em dezembro do mesmo ano.

Segundo o Financial Times, a discussão sobre novas medidas contra Moraes voltou a ganhar força após o ministro autorizar buscas contra fontes de um jornalista do Maranhão que publicou reportagens críticas a Dino.