O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, nesta quarta-feira (29). Na ocasião, o chanceler decidiu seguir monitorando as relações bilaterais e manter o diplomata no Brasil, segundo apurou a CNN.
O retorno do diplomata ao Brasil dependerá do arrefecimento das tensões entre os países, segundo relatos. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sob reserva, descartam uma volta imediata e falam que o embaixador deve ficar no país por “semanas”.
Houve na reunião, contudo, uma avaliação de que declarações do ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, levaram tom mais conciliador à relação. O chanceler do país vizinho afirmou nesta quarta-feira (29) que “não há chance” de rompimento de relações entre os países por parte da Argentina.
“Quanto ao fato de o chanceler brasileiro ter convocado o embaixador argentino, isso é algo que nós não fazemos; não elevamos questões ao nível institucional. Mantemos as disputas eleitorais, bem como as diferenças políticas e ideológicas, dentro desse âmbito específico”, adicionou o ministro.
O encontro desta quarta-feira foi o segundo desde as falas do presidente da Argentina, Javier Milei, que geraram uma crise diplomática entre os dois países. Um primeiro encontro ocorreu na segunda-feira (27), quando Bitelli fez um relato da repercussão na Argentina das falas de Javier Milei.
De acordo com fontes, causou revolta ao Itamaraty e ao Palácio do Planalto o fato de as declarações do presidente argentino terem acontecido em território brasileiro. Milei participou, no sábado (25), de convenção que lançou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário”, acusou o governo brasileiro de “prender opositores” e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), como “lixo careca”. O mandatário argentino ainda criticou a política econômica do país.
Na noite de domingo (26), Mauro Vieira já havia conversado com o embaixador da Argentina, Daniel Raimondi, a quem disse serem inaceitáveis e sem precedentes as críticas do presidente Javier Milei.
Diego Santilli, chefe de gabinete de Javier Milei, justificou as falas do presidente da Argentina e minimizou a crise entre os países. “Não exagerem”, disse o representante do governo Milei sobre a convocação dos embaixadores.

