A operação da PF (Polícia Federal), na manhã de quinta-feira (18), que teve como um dos alvos de mandados de busca e apreensão o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apontou que o político trabalhou em prol da chamada “emenda Master”.

A proposta, que foi rejeitada no Senado, ampliava o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão para cada depositante.

Na avaliação dos investigadores, a medida beneficiaria diretamente o Banco Master, uma vez que a instituição utilizava a garantia do FGC como um dos principais atrativos para a captação de recursos no mercado.

Segundo a PF, a emenda não teria surgido da iniciativa de parlamentares. As investigações apontam que o texto foi elaborado dentro do próprio Banco Master e posteriormente encaminhado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que apresentou a proposta ao Congresso apensada à PEC que dava autonomia financeira  orçamentária ao Banco Central.

Em mensagens apreendidas na investigação, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria comemorado a apresentação do texto afirmando que a emenda “saiu exatamente como mandou” — expressão citada nos autos da Operação Compliance Zero.

A proposta ganhou o apelido de “Emenda Master” justamente porque, segundo a PF, seu principal efeito seria fortalecer o modelo de negócios do banco. Ao elevar o limite de proteção do FGC, investidores poderiam aplicar valores maiores com cobertura garantida em caso de quebra da instituição financeira, ampliando a capacidade de captação do Master.

O tema voltou ao centro das atenções após a 9ª fase da Operação Compliance Zero atingir o senador Jaques Wagner.

De acordo com a Polícia Federal, o líder do governo no Senado teria atuado em diferentes frentes de interesse do Banco Master, incluindo discussões relacionadas ao tema, à ampliação do crédito consignado e ao acompanhamento de pautas consideradas estratégicas para o grupo empresarial de Vorcaro.

A apuração busca esclarecer se Wagner usou sua influência política para favorecer a tramitação ou a defesa de medidas de interesse do banco.

Os investigadores também apuram a suposta concessão de vantagens indevidas ao parlamentar, hipótese que é negada por ele. Até o momento, não há condenação nem acusação formal, e as suspeitas seguem sob investigação. Wagner nega ter atuado politicamente em defesa dos interesses do Banco Master.

Embora a PF investigue a atuação recente do senador baiano em favor da proposta, a origem política da chamada Emenda Master está associada ao senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL).

As investigações apontam que a iniciativa legislativa nasceu no entorno político ligado ao período bolsonarista e teria sido posteriormente defendida por outros atores com influência no Congresso.

Para a Polícia Federal, a relevância da Emenda Master na Operação Compliance Zero está justamente na suspeita de que uma proposta legislativa com potencial impacto bilionário para o sistema financeiro teria sido concebida para atender interesses privados específicos, utilizando a atuação de agentes políticos para viabilizar sua tramitação.