O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (10) estar satisfeito com a atuação do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, diante da sequência de decisões conflitantes envolvendo a direção da PF (Polícia Federal) e a crise na Suprema Corte.

Eu acho que o Fachin agiu corretamente ontem. Vai ter que pegar esse processo e trazer para ele, botar ordem na Casa, fazer com que a Suprema Corte faça um processo de apuração“, afirmou o presidente em entrevista ao SBT.

A declaração ocorre após Fachin suspender, nesta quarta (9), uma decisão do ministro André Mendonça que havia afastado Andrei Rodrigues da direção-geral da PF. Fachin também derrubou uma decisão do ministro Flávio Dino que havia determinado a recondução de Rodrigues ao cargo.

Com a decisão, Rodrigues foi mantido no comando da PF. Fachin determinou ainda que o diretor-geral preste informações no prazo de 48 horas.

Na entrevista ao SBT, Lula voltou a elogiar o presidente da STF e disse esperar que ele tome novas medidas em relação às investigações e processos em curso.

“Acho que não terminou de tomar atitude, espero que faça mais coisa para pôr ordem na Casa e devolver a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve“, disse.

O presidente defendeu uma apuração ampla e criticou o que classificou como vazamentos seletivos de informações.

“Apurem tudo, divulguem tudo, doa a quem doer, mas é importante recuperar o prestígio perante a sociedade brasileira”, disse.

Lula afirmou que conversou com Fachin na quarta e defendeu a quebra de sigilo de “todo mundo”.

Eu não gosto de investigação sigilosa. Se tiver que fazer investigação é melhor você fazer, tornar público para poder acusar as pessoas. O que você não pode é ficar soltando meias informações, meias palavras“, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, Lula respondeu que “todo mundo tem que ser investigado”.

Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar”, declarou.

O presidente também voltou a defender uma futura reforma do Poder Judiciário, embora tenha dito que ainda não definiu quais propostas pretende apresentar. Entre os temas que citou, está a discussão sobre a criação de mandatos para ministros do STF.

É preciso discutir um mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos”, afirmou.