O ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello afirmou, em entrevista à CNN neste sábado (5), que ficou “atônito” com o pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para anular o relatório da Polícia Federal que trouxe à tona mensagens e registros de contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“Fiquei atônito quando o doutor Paulo Gonet, que estava referido no relatório, se pronunciou no sentido de ter-se a declaração de nulidade de todo o relatório. A sociedade brasileira precisa de esclarecimentos”, disse Marco Aurélio.

O próprio Gonet também é mencionado no material da Polícia Federal, circunstância destacada por Marco Aurélio ao criticar a manifestação do procurador-geral.

“Nulidade, em procedimento embrionário, relativo ao relatório apresentado pela PF, é um passo largo que não se coaduna com o direito instrumental”, completou o ex-ministro.

No parecer, o procurador-geral argumentou que Mendonça não poderia ter determinado o aprofundamento das apurações sobre um colega de Corte sem provocação do Ministério Público.

O relatório foi tornado público pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, na terça-feira (1º).

O documento da PF reúne mensagens e registros que indicam uma série de encontros e contatos entre Moraes e Vorcaro. A divulgação do material aprofundou uma crise dentro do STF e acirrou a relação entre Moraes e Mendonça.

Após retirar o sigilo, Mendonça encaminhou o material para manifestação da Procuradoria-Geral da República e defendeu que os elementos fossem analisados pelo plenário do Supremo. Depois disso, a PGR pediu nulidade do relatório.