O deputado federal Mario Frias (PL-SP) retardou a prestação de informações sobre emendas parlamentares suspeitas, aponta o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), em sua decisão que autorizou nesta quinta-feira (10) uma operação da PF (Polícia Federal) no âmbito do caso “Dark Horse”.

Frias foi alvo de busca e apreensão nesta manhã. A ação policial de hoje, realizada em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), apura suposto desvio de emendas parlamentares repassadas à organização da sociedade civil.

“É preciso recordar, ainda, que o Deputado Federal Mario Frias, estando em viagem internacional, retardou a prestação de informações a esta relatoria no curso da PET 16.070/DF, exigindo a adoção de diligências junto à Presidência da Câmara dos Deputados para averiguar a regularidade administrativa de sua ausência. Não se pode ignorar, outrossim, que o cenário público nacional, lamentavelmente, deu provas recentes de que a evsão internacional é via cogitada por alguns parlamentares brasileiros ante a perspectiva da persecução penal”, registra Dino.

 

De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam a existência de uma “organização criminosa formada por agentes públicos e privados“, que é suspeita de direcionar os valores recebeidos para empresas subcontratadas de forma irregular e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.

A PF destaca que levantamentos financeiros identificaram movimentação de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado. A operação investiga crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

A CNN Brasil entrou em contato com o deputado federal Mario Frias e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação do parlamentar.

Quem é Mario Frias

O atual deputado ganhou notoriedade como ator por papéis na TV, entre o fim dos anos 1990 e o começo dos anos 2000, quando participou de telenovelas como “Malhação” e “Floribella”, também com atuações em “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino” e “Os Mutantes” – tramas transmitidas pela TV Globo e Record.

O início da vida política de Frias começou em 2020, quando ele foi nomeado secretário especial da Cultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sem ter experiência prévia em gestão cultural, o parlamentar assumiu o cargo que foi deixado pela também atriz Regina Duarte.

A gestão de Mario Frias ficou marcada pela política de proibição de linguagem neutra em projeto da Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura), em 2021. A portaria, que chegou a entrar em vigor, do Ministério do Turismo, determinava que ficava “vedado o uso e/ou utilização, direta ou indiretamente, além da apologia, do que se convencionou chamar de linguagem neutra”. A Justiça vedou a legislação em abril de 2022.

Outro caso que aconteceu durante a gestão de Mario Frias na secretaria da Cultura foi o incêndio na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Nove dias antes, o MPF (Ministério Público Federal) tinha alertado o governo federal para o risco de fogo na instituição.

Em 20 de maio de 2020, Jair Bolsonaro falou que a então secretária especial da Cultura Regina Duarte — que foi substituída pelo ator Mário Frias — deixaria a pasta e comandaria a Cinemateca em São Paulo. No entanto, ela nunca assumiu o cargo.

Bolsonaro exonerou Frias da secretaria da Cultura em 2022, junto com Alexandre Ramagem, que era diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência); e Sérgio Camargo, que presidia a Fundação Cultural Palmares.

Frias disputou a primeira eleição para deputado federal por São Paulo em 2022 e foi eleito. Agora, ele concorre à reeleição do cargo na Câmara dos Deputados.

Emendas ao Dark Horse

Em maio, o site Intercept divulgou um áudio que o deputado enviou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, agradecendo pelo apoio financeiro ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.