Lideranças governistas enxergaram a atuação forte da oposição dentro do Senado como um fator decisivo para atrasar a conclusão da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala trabalhista 6×1.

No entanto, ainda apostam que integrantes do grupo acabarão votando a favor caso a proposta seja pautada no plenário. Na avaliação de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a matéria tem apelo popular demais, sobretudo em ano eleitoral, mesmo que fique para depois do primeiro turno.

“Nós tivemos declarações de que senadores da oposição votariam conosco. Ainda temos o dia de amanhã para apreciação do requerimento. Falei agora com o Davi [Alcolumbre], o requerimento não foi apreciado. Está esvaziado, de fato. […] Tem que ser uma vitória consistente. Tem que ser uma vitória sem nenhum temor”, declarou Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado.

Como demonstrou Teresa, os governistas também só querem acabar de votar a matéria se tiverem certeza da vitória. A ordem é não arriscar para não sofrer uma eventual derrota que se converteria num grande desgaste para o presidente Lula, a pouco mais de um mês das eleições.

O texto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas não ainda no plenário, último passo necessário. Há dúvidas se será pautado nesta quinta-feira (3) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Governistas estão céticos, mas esperam uma resposta oficial.

“Eu acredito que o presidente Davi já deu pista de que não vai acatar o requerimento. Mas ele tem o que dizer. E aí vamos ver o que é que ele diz”, acrescentou Teresa.

Um dos principais articuladores para atrasar a PEC nesta quarta (2) foi o líder da oposição na Casa e coordenador nacional da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Rogério Marinho (PL). O candidato à Presidência, por sua vez, estava em agenda de campanha no Rio Grande do Sul.