Integrantes do governo brasileiro negam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha conversado com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, após uma fala do petista sobre a Guerra do Paraguai gerar indignação no país vizinho.
A informação de que os dois chefes de Estado conversaram foi dada em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (30), pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano.
O diplomata também afirmou que o embaixador brasileiro no país, José Antônio Marcondes de Carvalho, foi convocado para uma reunião nesta sexta-feira (31) com o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana. No encontro, ele deverá receber uma nota oficial do governo paraguaio sobre as declarações de Lula a respeito da Guerra do Paraguai.
Na última sexta-feira (24), Lula afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai no século XIX, desencadeando a Guerra da Tríplice Aliança.
“A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”, disse.
De acordo com fontes da diplomacia, o Brasil não tem interesse em escalar a crise com o Paraguai e aposta na experiência do embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho para conduzir o diálogo e contornar a situação.
A declaração gerou indignação entre a população e a classe política paraguaias. Estimativas do país indicam que cerca de 70% da população paraguaia morreu no conflito do século XIX.
Na quarta-feira (29), o Congresso do Paraguai aprovou uma declaração de repúdio às declarações de Lula, afirmando que elas “distorcem e minimizam a dimensão histórica” da guerra.
“Você está falando com muita leviandade da maior tragédia da nossa história e do maior genocídio do nosso continente”, escreveu o presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, nas redes sociais, marcando o presidente Lula.
Na publicação, o líder parlamentar afirmou que a guerra começou com a intervenção militar do Brasil no Uruguai e que o conflito “deixou o Paraguai devastado e marcou para sempre” a história do povo paraguaio.

