Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esperam que o “gesto” do mandatário em encontrar o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), possa destravar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6×1.
Auxiliares de lado a lado já trabalham para preparar a reunião, segundo apurou a CNN. E os principais interlocutores entre Lula e Alcolumbre foram convocados para estar em Brasília na próxima semana – em que o Congresso Nacional terá um “esforço concentrado”.
Interlocutores indicam há meses que o presidente do Senado condiciona o avanço da pauta a um encontro com Lula. As relações foram rompidas após a rejeição pela Casa da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma cadeira do STF (Supremo Tribunal Federal).
Alcolumbre teria articulado contra Messias, o que irritou o Palácio do Planalto. Lula chegou a avaliar rever indicações do senador na Esplanada e até sua posição na eleição no Amapá, mas preferiu não retaliar. Desde então, contudo, decidiu delegar qualquer contato a seus auxiliares.
Após o período sem contatos, Lula e Alcolumbre conversaram na última terça-feira (4), em um encontro intermediado pelos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), mas a pauta do Congresso não foi assunto.
A conversa da última terça-feira teria “zerado o jogo” entre os chefes de Poderes, segundo relatos, e articuladores do governo esperam que o gesto de reaproximação vá destravar temas do interesse do Executivo.
A expectativa é de que no novo encontro sejam tratadas as tramitações dos textos prioritários do governo Lula, que estão travados na mesa de Alcolumbre: as PECs da 6×1 e da Segurança e o PL (projeto de lei) dos minerais críticos.
O governo Lula tem a PEC do fim da 6×1 como prioridade, especialmente de olho no impacto eleitoral da medida. No entanto, os articuladores do Planalto tratam o tema com cautela e ponderam como baixa a chance de o texto ser aprovado antes do pleito de outubro.
O discurso eleitoral já foi manobrado. Caso não possa apresentar o fim da 6×1 como uma entrega, a comunicação de Lula vai abordar a redução da jornada de trabalho como uma bandeira, uma “razão” para a escolha pelo candidato do PT.
Também devem ser usadas na campanha de Lula o PL (projeto de lei) dos minerais críticos e a PEC da Segurança.
A primeira será tratada como uma iniciativa do governo em defesa da soberania, ao tentar garantir que, em vez de vender matéria-prima, o Brasil desenvolva as commodities em território nacional. Já a segunda, como caminho para desarticular o crime organizado, inclusive possibilitando a criação de um Ministério da Segurança Pública.

