O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste domingo (8) que a realização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é uma “guerra contra o retrocesso” e que “vale a pena” fazer a prova para conseguir um diploma.

“Estamos fazendo uma guerra contra o retrocesso. Estamos fazendo uma guerra pela educação, uma guerra que significa paz, uma guerra que significa envolver 600 mil soldados ajudando os estudantes, para que a gente garanta lisura. Quer dizer, total lisura, para que as pessoas possam saber que estão participando de um exame 100% cuidado”, disse o presidente.

Segundo ele, pessoas que possuem o diploma universitário têm mais facilidade ao procurarem vagas de emprego, sendo mais respeitadas. Lula chegou a dizer que viveu “na pele” o desrespeito por não possuir ensino superior.

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“Não é verdade que não vale a pena ter diploma universitário. Você vê a experiência de uma pessoa que vai procurar uma vaga num local qualquer para trabalhar: uma que tem formação, outra que não tem formação. A que tem formação é tratada como se fosse gente, de forma respeitosa. As pessoas podem ter um currículo. Uma pessoa que não tem formação, sabe, não é tratada com respeito. Eu já vivi isso na pele muitas vezes.”

Durante visita à sala de monitoramento do Enem, na sede do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), em Brasília, o petista ressaltou que o país só vai garantir um futuro digno por meio da educação.

Participação feminina

Em seu discurso, Lula também comemorou o número de mulheres inscritas no Enem, que representam 63,98% das 5.051.345 inscrições confirmadas na edição deste ano. Em números absolutos, elas são 3.232.013 inscritas. Já os homens correspondem a 36,02%, totalizando 1.819.332 inscritos.

“A educação para a mulher não é só pela profissão ou pelo salário. É por uma coisa chamada independência; é a conquista do direito de andar de cabeça erguida dentro e fora de casa, no mundo particular ou no mundo do trabalho. Por isso, meus parabéns às mulheres”, disse o presidente.

Neste domingo, os candidatos fazem a redação e respondem a questões de linguagens e ciências humanas. No domingo seguinte (15), será a vez das provas de matemática e ciências da natureza.

Números no Enem 2026

O exame deste ano mobiliza 596.812 profissionais em todo o país. Segundo dados apresentados pelo Ministério da Educação durante a visita do presidente à sala de monitoramento do Inep as provas serão aplicadas em mais de 184 mil salas, distribuídas por 14.868 locais de aplicação em 1.901 municípios. É a primeira vez que o exame ultrapassa a marca de 1.900 municípios, segundo o governo.

A operação logística para a aplicação do exame envolve 2.676 veículos de distribuição, 3.154 veículos de escolta, 31 voos, 176 carretas e 26 embarcações. Ao todo, foram percorridos cerca de 300 mil quilômetros para transportar as provas. A distribuição conta com o apoio dos Correios, da Polícia Federal, das forças de segurança estaduais e das Forças Armadas.

Durante a visita, o MEC informou que, às 11h09, 74% das provas já haviam sido entregues aos locais de aplicação. Ao final da apresentação, o percentual havia chegado a 90%. A entrega ocorre entre 10h e 12h, em uma janela de duas horas estabelecida por questões de segurança. Segundo o Inep, cada local de prova também conta com um certificador responsável por comunicar eventuais problemas em tempo real, por meio de um aplicativo.

O ministro da Educação destacou ainda o crescimento no número de inscritos em relação a 2022, quando o exame registrou 3,4 milhões de participantes. Segundo ele, o Enem permite acesso a mais de 1,5 milhão de vagas por meio de políticas públicas de ingresso no ensino superior, como Sisu, ProUni e Fies. Na apresentação, foram detalhadas cerca de 275 mil vagas pelo Sisu, 1 milhão de bolsas integrais e parciais pelo ProUni e mais de 112 mil vagas pelo Fies.