O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desejou, nesta sexta-feira (6), “pleno êxito nas novas funções” ao novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana. Lula também afirmou esperar trabalhar com o novo chefe de Estado de maneira “aberta, franca e cooperativa”.
“Transmito ao novo Presidente do Paraguai, Pedro Alliana, empossado na noite de hoje, meus desejos de pleno êxito nas novas funções e de poder trabalhar com ele de maneira aberta, franca e cooperativa, em prol do fortalecimento da relação bilateral e do avanço da integração na América do Sul”, escreveu Lula no X.
O mandatário brasileiro afirmou ainda que espera recebê-lo em breve, em Brasília, para renovar os laços históricos de amizade entre as duas nações.
“Espero poder recebê-lo proximamente em Brasília, oportunidade em que poderemos examinar a nossa agenda bilateral e dar renovado impulso a nossos históricos laços de amizade”.
Alliana respondeu à mensagem de Lula e agradeceu o cumprimento do petista. “Nossas nações sempre estarão unidas por laços de fraternidade. Iniciamos uma relação frutífera em homenagem aos nossos povos”, escreveu.
O presidente do Paraguai, Pedro Alliana, tomou posse na noite desta sexta-feira, após o Senado paraguaio aprovar o impeachment de Santiago Peña. O ex-presidente foi acusado de envolvimento em um escândalo que levou ao fechamento de um banco e afetou milhões de pessoas no país.
Quem é Pedro Alliana
Na cadeira de vice, Alliana tem acumulado funções relacionadas à política externa do Paraguai.
Ele foi o primeiro nome do governo a se pronunciar após uma fala do presidente Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice fronteira.
Na ocasião, Lula afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai no século XIX, levando ao conflito que matou cerca de 70% da população paraguaia, segundo estimativas de historiadores.
“A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”, disse Lula.
Alliana esteve na reunião com o embaixador José Antonio Marcondes, realizada após a fala. Em uma coletiva de imprensa, o vice afirmou que não tinha interesse em aprofundar a crise.
“A distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos”, afirmou o vice. “Paraguai e Brasil são países irmãos. Compartilhamos uma extensa história de cooperação e uma agenda comum de enorme importância o desenvolvimento de nossos povos”, completou, destacando a parceria entre os países no Mercosul e para a usina Itaipu, na fronteira entre as duas nações.
Entenda a crise do “Banco Master paraguaio”
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.
*Com informações de Lucas Teixeira e Tiago Tortella

