O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira (16) que o ministro Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), não pode permitir que o escândalo do extinto Banco Master atrapalhe as eleições deste ano.
“O presidente Fachin tem a responsabilidade de fazer com que isso não atrapalhe o processo eleitoral. Porque as pessoas que criaram o Banco Master foram eles [no governo de Jair Bolsonaro], eles que criaram. Foi criado quando o Roberto Campos era presidente do Banco Central, indicado por eles”, disse em entrevista ao podcast Desce a Letra.
Na mesma entrevista, Lula ainda falou que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) é obcecado no ministro Alexandre de Moraes. O mandatário diz que o candidato do PL não estaria acusando o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) por um eventual envolvimento no caso Master, mas por “raiva porque o Moraes mandou prender o pai dele e os golpistas do 8 de Janeiro”.
“A obsessão deles é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre pelo Banco Master. Não é por isso que eles têm raiva. Ele [Flávio Bolsonaro] tem rabo preso ao Banco Master mais do que qualquer outra pessoa. A raiva dele do Alexandre é porque o Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle, ele tem raiva porque o Moraes mandou prender o pai dele e os golpistas do 8 de Janeiro”, afirmou o presidente.
Na sequência, Lula afirmou que o magistrado “prestou grandes serviços à democracia brasileira” ao relembrar a atuação de Moraes como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em 2022.
“Ele foi presidente do TSE quando ganhei as eleições e ele sabe, o Brasil sabe, a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade das urnas brasileiras”, disse.
A fala ocorre um dia após o STF realizar uma sessão extraordinária para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) sobre mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Para Lula, no lugar das acusações à Suprema Corte, seu adversário deveria explicar o destino dos “milhões que ele pegou do Vorcaro”, em referência ao financiamento do ex-banqueiro ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Quando se referiu ao longa, Lula o chamou de “filme mequetrefe”.
Também sobraram críticas ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos. O atual presidente disse que o terceiro filho de Jair Bolsonaro seria preso, caso voltasse ao Brasil.
“Vai ser preso porque traidor da pátria tem que ser preso. […] É quase que uma quadrilha, não família”, completou Lula.
Em agenda de campanha no último sábado (12), Flávio Bolsonaro rejeitou a tese de que haveria qualquer irregularidade com Dark Horse, o que seria reforçado com a informação de que o STF abriu um inquérito para investigar o senador em julho deste ano.
“Graças a Deus, o sigilo foi afastado de tudo e às claras para todo mundo ver o que eu sempre disse que não tem absolutamente nada de errado nesse filme. Estou muito tranquilo, o impacto é zero. Está tudo aberto para quem quiser ver. Para minha surpresa, eu estou sendo investigado há dois meses e o que é que surgiu contra mim? Nada. Esse é o maior atestado de idoneidade, é disso que eu precisava. Precisava vir a público para que todos pudessem parar com essa narrativa, para que o Lula não usasse mais essa narrativa. Ele viu que não tem nada de errado”, disse Flávio.

