A crise no Supremo Tribunal Federal pode representar um sério risco para a campanha de Lula nas próximas eleições. É o que avalia Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium Consultoria, em entrevista ao WW de terça-feira (8).
Gabiati analisou os números da pesquisa Nexus/BTG divulgada na terça-feira e ponderou que os movimentos observados nas intenções de voto, tanto a piora relativa de Lula quanto a melhora de Flávio, estão dentro da margem de erro.
“Não há movimentos repentinos na pesquisa, mas sim uma consolidação de um movimento que já vinha se dando. Fica difícil, a partir dos dados que a pesquisa nos traz, confirmar se há algum tipo de ônus específico para Lula“, afirmou.
Apesar da cautela com os números, o especialista destacou que, ao se reunir variáveis como um governo que ainda demora a reagir, Fachin enfrentando dificuldades para comandar o Supremo e pesquisas reforçando algum tipo de problema na campanha petista, o resultado é a sensação de um momento negativo para Lula.
“Certamente, se esse momento político perdurar, se esse confronto do Supremo continuar sem solução, Lula eventualmente poderá ser prejudicado“, declarou Gabiati.
Proximidade com o STF
O diretor de jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, destacou que o governo está vinculado ao Supremo em diversas frentes, desde questões fiscais e de decreto do IOF até a desoneração da folha, emendas parlamentares e investigações envolvendo o PT da Bahia.
“O PT da Bahia está nas mãos do Supremo, que pode apertar um botão a qualquer momento para acelerar essa investigação”, disse.
Rittner apontou que a proximidade entre o governo e o Supremo passou a ser vista como um problema eleitoral. Ele lembrou que Alexandre de Moraes foi aplaudido de pé em cerimônia no Palácio do Planalto em 2023, situação que se repetiu em 2025.
O jornalista observou também que Lula, o Palácio do Planalto e a campanha petista teriam cerca de 25 a 26 dias, além de mais três semanas de segundo turno, para se desvencilhar da associação com Moraes e preservar sua imagem junto ao eleitorado.
“Tem gente na Esplanada dos Ministérios aconselhando explicitamente o presidente a pedir ao Fachin para levar ao plenário, para fazer uma concertação para que haja uma investigação contra Moraes, o encerramento do inquérito das fake news e a retirada da relatoria dos casos Master e INSS de André Mendonça”, afirmou Rittner.
Além disso, segundo o analista, cogita-se que o próprio Lula passe a defender mandatos para ministros do STF, de 8, 10 ou 12 anos, de modo a evitar a percepção de que um grupo do Supremo se beneficiaria de eventuais novas indicações caso ele seja reeleito.

