O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (6) que o Brasil irá apresentar aos líderes mundiais durante a COP31 (Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas) proposta prática e consolidada para reduzir o uso combustíveis fósseis e alcançar o desmatamento zero.
Segundo o presidente, o Brasil reduziu 560 milhões de toneladas de emissão de gases poluentes a partir de energias renováveis entre 2022 e 2024, o que representa uma redução de 27% no período. Além disso, o país chegou a índices máximos de redução no desmatamento nos últimos anos. Os dados serão levados à COP31 como uma bandeira brasileira na agenda climática.
“Nós vamos chegar na COP31, na Turquia, com uma proposta organizada para que o mundo passe a levar a sério a possibilidade da gente vislumbrar mais rápido do que a gente pensava, da gente diminuir a dependência de combustíveis fósseis no mundo. E o que é muito importante é que o Brasil não fala teoricamente”, disse.
Nesta sexta-feira, Lula participou com ministro da reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), em que foi aprovado o Plano Nacional de Transição Energética, que prevê ações do governo federal para construir uma matriz energética mais sustentável e segura, alinhada aos desafios econômicos, sociais e ambientais do país.
Também nesta sexta, o governo aprovou o chamado Mapa do Caminho que estabelece diretrizes para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. De acordo com o Palácio do Planalto, a ideia é acelerar a implementação de metas e planos já estabelecidos.
Além disso, Lula também vai levar à COP31 os avanços para alcançar metas nos fundos de investimento estrangeiro para a proteção de florestas.
Um deles, o chamado TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), fundo de financiamento global idealizado pelo Brasil para remunerar países em desenvolvimento pela preservação de suas florestas tropicais. Da COP30 até hoje, foram arrecadados 7,8 bilhões de dólares. Para que o mecanismo comece a ser implementado, o objetivo é chegar a 10 bilhões de dólares, o que segundo o governo, será possível nos próximos meses.
O outro é o Fundo Amazônia Brasil, que de acordo com o governo, atingiu 7,8 bilhões de reais em investimentos.
Lula disse que os avanços devem levar o Brasil a conseguir mais parcerias durante a COP31.
“Nós vamos comecar a provar de verdade que preservar é melhor do que queimar ou derrubar. De que o fato de você preservar não significa criar problema nenhuma para a agricultura brasileira”, destacou. “Hoje, possivelmente seja mais lucrativo você preservar do que tentar derrubar pra fazer um pasto. Existe possibilidade de financiamento”, garantiu o presidente.
Lula viaja na próxima segunda-feira (9) para Antália, na Turquia. O país irá sediar a conferência entre os dias 11 e 12 e receber do Brasil a presidência temporária do evento. A última COP foi realizada em Belém, no Pará, em novembro do ano passado, e foi marcada pela ausência de representantes dos Estados Unidos, mesmo após convite de Lula enviado diretamente a Donald Trump.
Retomada da agenda internacional
No discurso que prepara para a COP31 (Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas), o presidente Lula irá reforçar a urgência de fortalecer o multilateralismo no combate à mudança do clima, levando em consideração de que a declaração será a primeira a proferir para líderes mundiais após vencer as eleições no Brasil.
Segundo a equipe diplomática do Palácio do Planalto, Lula ainda trabalha no discurso, que será redigido também no contexto de que a COP é tratada como um dos mais importantes foros para a política externa brasileira.
Na avaliação de assessores da área internacional do Planalto, diferente da COP30, o “clima” na Turquia será “muito melhor”. Isso, por duas razões: a vitória de Lula para mais um mandato e a derrota do governo de Donald Trump com as eleições no parlamento americano que levou o partido Democratas a conquistar maioria no Congresso.
