O caso Master prejudica mais o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que a oposição, mesmo com o nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) associado ao escândalo pelo filme Dark Horse. Essa é a avaliação do cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida, ao Hora H.

Segundo Almeida, a lógica é estrutural: escândalos de corrupção, por definição, estão ligados ao tráfico de influência e ao exercício do poder.

“A corrupção sempre atinge mais o governo do que a oposição”, afirmou o especialista. “É muito difícil você ter um escândalo de corrupção que pegue mais a oposição do que o governo. Qualquer que seja o governo.”

No caso Master, ele destacou que a presença de nomes ligados ao PT da Bahia no escândalo já foi suficiente para carimbar o governo federal na crise. “Aparece gente do PT da Bahia no caso Master. Então, aí é PT, é governo. Pronto, aí já carimbou que o governo está relacionado com o caso Master”, disse.

A separação entre o técnico e o político

O especialista também abordou a dificuldade de separar as leituras técnica e política das decisões do STF (Supremo Tribunal Federal). Para Almeida, essa distinção é praticamente impossível, uma vez que os ministros frequentemente tomam decisões políticas amparadas por justificativas técnicas.

“Os ministros do Supremo primeiro decidem e depois eles arrumam a justificativa técnica. Tem justificativa técnica para decisões opostas o tempo inteiro”, afirmou. Ele citou como exemplo as decisões contraditórias sobre o trânsito em julgado, que envolveram diretamente o caso de Lula.

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