Michelle Bolsonaro aceitou nesta quinta-feira (23) o pedido de desculpas do senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), pela recente crise entre os dois. Em vídeo publicado nas redes sociais, a ex-primeira-dama também convidou o parlamentar para “sentar e conversar”.
Como a CNN antecipoou, Michelle disse reconhecer que “todos nós cometemos erros” e elogiou o gesto de Flávio de vir a público pedir desculpas. Segundo ela, isso “tem muito valor e poucos homens teriam coragem de fazer isso”.
Michelle acrescentou que é necessário superar os desentendimentos para “reconstruir o Brasil”, que precisa de “gente de pé, não de gente dividida”, pelo “bem do povo brasileiro”.
“Eu te desculpo. Vamos sentar, vamos conversar, ajustar os detalhes e juntos vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o nosso Brasil.”
Por fim, Michelle agradeceu às amigas, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e a senadora Damares Alves (Republicanos), pela articulação da reconciliação.
Mais cedo, o senador publicou um vídeo em suas redes sociais no qual pede desculpas a Michelle. Na gravação, Flávio renovou o convite para que eles caminhem “juntos na missão de defender o Brasil”.
“O momento é difícil para todo mundo. Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores”, afirmou.
A reconciliação acontece após o pronunciamento do PP e do União Brasil de que ficarão neutros quanto à candidatura de Flávio. Agora, o senador busca o apoio do Republicanos e do Podemos, e a avaliação do PL é de que Michelle poderia ajudar junto à cúpula nacional do Republicanos.
A legenda tende a se declarar neutra na disputa presidencial, mas a avaliação é de que um pedido da ex-primeira-dama poderia mudar a postura da sigla, já que ela tem forte relação com o segmento evangélico.
Entenda o conflito entre Flávio e Michelle
O atrito entre Michelle e Flávio começou ainda em dezembro do ano passado, quando o PL (Partido Liberal) articulava, junto ao deputado André Fernandes (PL-CE), uma aliança com Ciro Gomes em apoio à uma eventual candidatura no Ceará. Na época, a ex-primeira-dama ressaltou que “não abriria mão de seus valores” e, por isso, se declarou contra qualquer apoio a Ciro, o que gerou reações contrárias dos filhos de Bolsonaro, inclusive Flávio.
Nas declarações em junho deste ano, feitas em vídeos publicados nas redes sociais, Michelle disse ter sido desrespeitada pelo enteado.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante e então eu me recolhi”, afirmou a ex-primeira-dama.
No mesmo dia em que ela fez as publicações, Flávio rebateu as acusações: “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, escreveu o senador em publicação nas redes sociais. “Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil.”
Alguns dias depois, Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. O motivo citado por ela é a vontade de se dedicar exclusivamente aos cuidados do ex-presidente.

