Um vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro (PL) na quarta-feira (24), em que ela comenta sua relação conturbada com o pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, acendeu o debate sobre os rumos do bolsonarismo. Para o CEO da consultoria Dharma Politics, Creomar de Souza, o episódio evidencia uma disputa interna pela liderança do campo político da direita.
Em entrevista WW, Creomar avaliou que o embate entre as figuras vai além de uma simples divergência pessoal. Segundo ele, o vídeo da ex-primeira-dama oferece uma “evidência clara” de que está em aberto a questão de quem vai liderar o bolsonarismo na ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Disputa pela herança política
Creomar traçou um paralelo com o campo petista, que busca uma alternativa ao “lulismo” sem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Nós temos uma disputa de herança do lado do bolsonarismo com o progenitor ainda vivo”, afirmou o especialista.
Para ele, tanto Michelle quanto os filhos de Jair Bolsonaro (PL) — hoje representados pela candidatura de Flávio — demonstram uma preocupação que pode ser interpretada como sendo maior com a manutenção da hegemonia no campo da direita do que com uma vitória eleitoral propriamente dita.
Nesse cenário, Creomar identificou uma disputa que envolve Michelle, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Cada um deles buscaria se posicionar como o legítimo “portador da herança política” de Jair Bolsonaro.
“Eu sou o portador da herança política do legado de Jair Bolsonaro e eu posso, a partir daí, construir uma dinâmica nova de recolocar o Brasil no trilho de um governo de direito”, exemplificou o analista, reproduzindo o argumento que cada um dos disputantes poderia apresentar.
Antipetismo como estratégia insuficiente
O antipetismo, por si só, seria suficiente para sustentar uma candidatura, sugerindo que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) poderia estar apostando excessivamente nesse discurso em detrimento de outros elementos, como coordenação, articulação e trabalho de base, segundo Creomar.
Para o especialista, se a hipótese de que controlar a base antipetista é mais importante do que vencer em 2026 fizer sentido, a eleição deste ciclo se tornaria uma questão secundária.
O foco real estaria em 2030, quando, segundo ele, sem Lula no cenário, haveria espaço para que um dos herdeiros do bolsonarismo levantasse sua bandeira e reivindicasse a liderança do campo conservador.

