O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para flexibilizar as regras de visitação impostas aos advogados, de forma a permitir uma “reunião preparatória” antes do depoimento que o ex-presidente prestará à Polícia Civil nesta próxima terça-feira (23).

De acordo com a decisão, a defesa poderá encontrar Bolsonaro a partir das 14h, para prepará-lo para o depoimento e permanecer com o ex-presidente sem tempo limite definido. Os advogados podem, inclusive, acompanhar a oitiva, que está marcada para as 15h na casa do ex-presidente.

“Autorizo, excepcionalmente, a extensão do tempo de visita dos advogados regularmente constituídos de Jair Messias Bolsonaro, a partir das 14h00 do dia 23/6/2026 (terça-feira), “para fins de preparação para a oitiva”, conforme requerido, podendo acompanhar o custodiado na oitiva”, decidiu o ministro.

No domingo (21), a defesa havia pedido a flexibilização das regras de visitação impostas aos advogados. Pelas normas da prisão domiciliar cumprida por Bolsonaro, advogados podem visitá-lo todos os dias entre 8h20 e 18h, mas o encontro é limitado a 30 minutos.

A defesa argumentou, porém, um encontro sem limite de tempo é excepcionalmente necessário para “viabilizar a adequada orientação jurídica e a preparação” do depoimento.

“A medida se revela indispensável ao pleno exercício da garantia constitucional da ampla defesa, permitindo a necessária interlocução entre o custodiado e seus patronos antes da realização do ato”, afirmam os advogados.

Na última sexta-feira (19), o ministro Alexandre de Moraes autorizou a Polícia Civil do Distrito Federal a colher o depoimento do ex-presidente para o inquérito que investiga a apreensão de uma arma registrada em seu nome.

Conforme apurou a CNN Brasil, os investigadores querem entender as condições que fizeram com que a arma do ex-presidente estivesse no carro de outra pessoa, sem documentação e em local distante da residência. Quem entregou, quando e por qual motivo são os questionamentos a serem feitos a Bolsonaro.

Entenda

Na madrugada de segunda-feira (15), a Polícia Militar do Distrito Federal apreendeu, em blitz, uma arma de fogo que seria de propriedade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O aparato estava no carro de Estácio Leite da Silva Filho, um militar do Exército que conduzia um veículo oficial do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Na abordagem, um dos policiais avistou o armamento e pediu explicações a Estácio. O militar afirmou que a pistola seria levada para reparo e depois devolvida ao proprietário. Na apreensão da arma, a polícia constatou que ela estava registrada no nome de Bolsonaro.

Em esclarecimento enviado ao STF, a defesa de Bolsonaro confirmou que a arma de fato pertence ao ex-presidente. Segundo os advogados, Bolsonaro teria constatado uma falha na pistola e solicitado o conserto dela a Estácio, que possui expertise no tema.

A defesa argumenta ainda que, apesar da condenação por tentativa de golpe, não houve determinação judicial para que Bolsonaro entregasse suas armas ou cancelasse os registros, o que afasta qualquer irregularidade quanto a posse do objeto.

No mesmo dia da manifestação da defesa, a Polícia Civil comuicou ao STF a abertura de um inquérito para apurar o caso.